Consciência-página 2

         
 

    A população humana já atinge cerca de 3 bilhões de indivíduos. Excluindo quase 1 bilhão de indianos, que não comem carne, como se vai alimentar com carne os outros 2 bilhões? É lógico que a alimentação varia de lugar para lugar, e em muitos nem há alimentação. Mas o fato é que existe gente demais e comida de menos. Como a Natureza vai abastecer todo mundo? E o que vamos fazer nos próximos anos? Vamos nos portar como nossos ancestrais, que deixavam para a Natureza resolver os problemas de poluição do ar, das águas, da terra? Não seria hora de começar a mudar as coisas? A consciência de cada um precisa ser chamada à atenção com urgência. O posicionamento global é o resultado dos posicionamentos individuais. Se, por exemplo, reduzirmos ou eliminarmos o hábito de comer carne, serão necessários muito menos rebanhos de gado de corte. Sabemos que para cada quilo de carne são necessários XXX quilos de pasto e 43000 litros de água. Essa quantidade de recursos direcionada à cultura vegetal, alimentaria muito mais gente. Imagine se os indianos comessem carne... como seria grave o problema de alimentação lá.

    O maior problema ocorre quando além da consciência funcionar em níveis muito débeis, a pessoa também não sente culpa pelos sofrimentos que impõe aos animais. Porque se houvesse um mínimo de culpa, haveria esperança de redenção. O que se esperar de alguém que comparece a uma tourada e assiste em delírio à morte de um animal que nada lhe fez? Provavelmente pensará que o touro morreria com ou sem a presença dela. É fato, mas se ninguém comparecesse, não haveria tourada. Daí o espectador delirante não sente culpa pela morte do touro. Simples, não? O posicionamento individual do espectador de nada vale se o coletivo não mudar. É preciso que todos mudem. E para o todo mudar, alguém precisa começar.

    Às vezes é necessário que o comportamento humano se condicione a determinados padrões, ditados pela Legislação ou pela Religião. Se nem uma nem outra fornecer a orientação comportamental com relação ao papel do homem no contexto da Natureza, em geral ele não encontra o caminho. Só através da expansão da consciência ele conseguirá saltar essa lacuna. Os conceitos religiosos são antigos e não contemplam a realidade que se avizinha. Mesmo assim, tem seu valor, pois para quem não tem consciência, só a Religião e a Legislação impedem que o homem faça pior do que faz. É preciso questionar cada atitude, cada decisão, cada escolha, pesquisar no íntimo de cada um, e deixar que as orientações mais sutis da consciência lhe revelem o melhor a ser feito.

    Salvar a Natureza é a meta deste século e do sucesso do homem dependerá sua sobrevivência. É necessário expandir a consciência individual, de modo que cada um enxergue a sua própria verdade e passe a sentir a importância de suas atitudes no teatro da Vida. Não podemos mais viver por viver. A responsabilidade do ser humano abrange, além de sua espécie, os demais ecossistemas da Natureza e os seres invisíveis que nela habitam e dela dependem, o que me faz supor que a humanidade tem o papel de manter e preservar a Criação. Mas não nos portamos como tal, porque o mergulho no mundo físico propiciou a exacerbação do egoísmo.

   Todos os demais vícios e defeitos são filhos do egoísmo. Graças a ele, e para se manter no

 

  poder, que é uma forma de excluir seus semelhantes, o homem "honesto" busca no consumo dos recursos naturais o enriquecimento que mantenha o indivíduo diferente dos seus "semelhantes", garantindo o bom para ele e o mau para os outros. Ninguém sequer imagina que males está causando, apenas quer o melhor para si e o outro "que se dane".
 

Exemplos de relações viciadas:

1. Traficante e viciado: o viciado pode, por exemplo, dizer que compra a droga com seus próprios recursos, que se ele se destrói ninguém tem nada com isso. Essa ação cria o mercado para o tráfico, pois aí aparece alguém para lhe vender a droga. Esse alguém é o traficante, que diz que vende a droga porque o viciado a quer comprar. Nada demais, julga ele, é apenas um comércio.O viciado não percebe (não tem consciência) que à medida que se torna cada vez mais dependente, os seus recursos deixam de ser suficientes para adquirir a droga e passa a roubar para comprá-la. A partir de certo ponto, qualquer meio se torna válido para ele adquirir a droga. Perde as noções de responsabilidade e moral. A importância dos relacionamentos desaparece.
    O traficante, por sua vez, expõe a si e a sua família a riscos de vida porque o ponto de venda é sempre disputado à força pelos demais. Sua vida é breve e seus dependentes acabam lançados ao tráfico porque geralmente não têm condições de viver honestamente. Há falta de consciência em relação ao valor da sua própria vida e da dos outros. A sociedade se encontra ameaçada pelas atitudes destes dois protagonistas. Roubos, tiroteios, medo, insegurança.
    Portanto, ambos os elementos desta relação prejudicam, além de si mesmos, a outras pessoas que nada tem a ver com o vício, que deverão de alguma forma, ter reparados os males ou prejuízos sofridos. Se o prejuízo for irreparável, como a morte ou lesão permanente, restará ao autor dos males se penitenciar em outra vida reparando males semelhantes ou sofrendo males semelhantes até que sua consciência o absolva dos seus erros. Para isso, terá que buscar o perdão daqueles a quem prejudicou, pois só o perdão o libera do vínculo criado entre ele e seu prejudicado. Obtido o perdão, a consciência o liberta.
 

2. O carnívoro e o abatedor de animais: o carnívoro se alimenta dos corpos dos animais porque não tem consciência do direito que os demais seres vivos têm à vida. Comem de tudo que respira. Geram o mercado da carne e derivados. As pessoas que abatem os animais para lhes retalhar os corpos encaram tal atividade como uma indústria de extração e um comércio como outro qualquer. Ignoram o sofrimento dos animais para morrer, inventam toda sorte de justificativas para suas atitudes. Dizem que os bichos não sentem dor, que foram criados por Deus para virarem comida e outros absurdos. A relação viciada que se estabelece prejudica a ambos. Ao carnívoro, porque a carne traz uma série de problemas à sua saúde, e ao abatedor, admitindo que também coma da carne, terá problemas de saúde cedo ou tarde, mas, principalmente, terá eliminado uma legião de vidas durante sua existência, um mal impossível de reparar, que o levará a penitências difíceis de vencer em outras vidas. E durante sua existência, a banalização da morte será sua marca. Para ele tanto faz matar um peixe como uma baleia ou um elefante. É o cotidiano de sua vida. A morte faz literalmente parte de sua vida.

 
 

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