Consciência

 

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   Consciência.  O que é consciência? Consciência significa ter ciência, ou seja, percepção de alguma coisa. Consciência significa: "sentimento ou percepção do que se passa em nós; voz secreta da alma que aprova ou reprova as nossas ações." Esta definição, obtida em um dicionário, se refere apenas ao que se passa em nós. Na verdade, o que se passa fora de nós é o maior objetivo de alcance da consciência. A consciência é uma espécie de entidade que tem vida própria, independente da nossa razão. É, talvez, nosso mais rigoroso juiz. É uma voz interior que pode até ser ignorada mas não pode ser calada. Essa voz que precisa ser obedecida se comunica conosco através da intuição, trata-se de uma comunicação sutil, é uma das portas entre nosso mundo e outros mundos imateriais. Muitos acham que a vida se resume àquilo que os 5 sentidos percebem.

    Na verdade, Vida (com V maiúsculo) ocorre num sentido mais amplo, abrangendo interações entre vários planos de existência, dos quais nós somos um subconjunto, ou melhor, estamos cumprindo uma missão num nível de densidade material mais elevado. Existe um trabalho grande a ser feito que exige interação entre seres que habitam esses diversos planos. Dessa forma, se isso for verdade, não existe hierarquia entre seres de diversos planos apenas por estarem habitando seus planos. A hierarquia só existe em função da evolução de cada um e reflete a capacidade de poder habitar em vários desses planos. Importantes missões são levadas a cabo no mundo físico e a principal característica desse mundo é justamente a limitação dos sentidos, o que faz (no caso, o homem) perder ou ter atenuados fortemente os vínculos de comunicação com outros planos.

    A visão resumida que adquire o homem da realidade faz com que ele acredite apenas no que vê, ou cheire, ou tateie ou ouça ou saboreie. As sensações mais sutis como as idéias, intuições ou sonhos são consideradas ocorrências sem valor e são justamente essas as portas que temos para os outros planos. A consciência é algo que habita o mundo das idéias, sonhos e intuições, de forma que nem todos conseguem percebê-la. A voz da consciência, muito sutil, nos fala através dessas três "coisas" e é algo facilmente ignorável e é até cômodo ignorá-la. Podemos nos distanciar dela através de um mergulho cada vez mais profundo no mundo físico, procurando desenvolver apenas nossos 5 sentidos físicos e buscando os prazeres que satisfizerem a esses sentidos. Dessa forma, torna-se possível prevalecerem valores materiais como o domínio pela força ou pelo dinheiro, a sede de poder, todas as formas de preconceito e exclusão, o ódio, a vingança, a inveja, enfim, tudo que é classificado como "pecado". Poucas pessoas tomam decisões baseadas na intuição, por exemplo. A intuição geralmente não é considerada suficiente para determinar uma decisão. É sempre necessário "ver para crer". Dentro desse quadro, é de se esperar que a consciência permaneça adormecida na maioria das pessoas, e apenas se manifeste após a morte, momento em que outras percepções são recuperadas pelo fato de se mudar de plano de existência.

   Então, o que fazer? Se só tivermos noção de certo e errado após a morte, corremos o risco de passarmos uma existência cometendo erros e achando que estamos certos. Porque de acordo com a religião e a legislação local, podemos estar agindo corretamente. É preciso, portanto, recuperar parte do vínculo com os planos mais próximos

 

 de modo a usarmos a consciência que nos julga como um guia para nossas ações. Já que não sabemos o que estamos fazendo aqui, porque essa é apenas uma das várias informações a que deixamos de ter acesso ao nascer,é preciso buscar urgentemente um caminho. Esse caminho é extremamente sutil e requer algum desprendimento material. Mas e quem não se preocupa com isso? Tais pessoas cometem toda sorte de erros e atrapalham o trabalho a ser feito. São pessoas que "não têm consciência" e pela falta dela, não cumprem o papel de protetores da Criação, entendendo-se a Criação como o conjunto de seres e recursos naturais existentes no mundo físico. Passam a vida satisfazendo a seus prazeres ou lutando por eles, e perdem o sentido de coletividade. Agrupam-se de acordo com suas afinidades para garantirem essa satisfação sem ligarem para a possibilidade de se prejudicarem e a terceiros, formando uma espécie de relação viciada.

    Relações viciadas são envolvimentos entre pessoas que ignoram a voz da consciência, geram causa e consequência e cujas ações prejudicam, além de si mesmos, terceiros que nada tem a ver com a relação e criam novos vínculos cármicos (ver exemplos ao final do texto). As relações viciadas são como motos-contínuos, que uma vez estabelecidas, dificilmente se interrompem, porque geralmente se cria um mercado que movimenta valores financeiros.  A visão do homem sempre foi embotada pela suposta superioridade da espécie. O homem se habituou a tratar as demais formas de vida como matérias-primas para se alimentar, se divertir e produzir diversas utilidades. Mas os animais fazem parte de ecossistemas específicos, não são nossa comida nem nossos brinquedos. Farra do boi, touradas, brigas de galos e de cães, pescaria, rodeios, circos, enfim, existem mil maneiras de violentar os animais.

    O homem se acostumou, ao longo de sua história, a alimentar-se de qualquer outro animal, abrindo um leque na cadeia alimentar de modo a torná-la a mais ampla de todas. Também na indústria, os corpos dos animais têm sido intensamente utilizados para extração de partes ou substâncias. Quantos produtos usamos e às vezes nem imaginamos que sua origem é animal! Certamente não dá para contabilizar a dor que o homem impõe às demais espécies vivas. Nenhum animal deseja morrer para ser consumido.

    Observa-se que  atividade do homem  sempre esteve atrelada a valores materiais. Poder, caracterizado por domínio econômico, domínio pela força. É o homem funcionando como seu próprio predador, pois enquanto ele exclui os mais fracos, cria bolsões de pobreza que acabam se voltando contra os mais fortes. Os mais fracos nada têm a perder, sua consciência está voltada apenas para sua sobrevivência, para eles não existem valores morais a buscar. Essa gente arrisca a vida por qualquer centavo, transforma-se em massa de manobra de loucos e cria imensos problemas sociais. Assim tem sido há séculos, enormes contingentes de ignorantes, pobres de toda espécie, devastam a Natureza sem dó nem piedade. Mas não são só eles. Aqueles que se dizem civilizados consomem recursos naturais em larga escala e abrem clareiras nas matas, queimam enormes quantidades de combustíveis fósseis e vegetais, produzindo incalculável quantidade de CO². O efeito estufa já é uma realidade, o degelo dos pólos está em andamento, o buraco na camada de ozônio é outra preocupação.

 

Consciência-pág.1

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