Era uma vez... 


@ O ORBE ELEMENTAL

lualuaEstamos no mês de Maio, comemorando os aniversários de Renan e Ricardo, dois rapazes que se conheceram há apenas um mês e já se consideram amigos. Desde o início tiveram uma grande afinidade, quanto à forma de ver e sentir o mundo. Os temas que gostam de conversar são sobre a evolução espiritual, documentários, Atlântida, chakras, aura, vida extraterrestre e outros assuntos intrigantes.
Ambos não têm nenhuma religião específica, mas cultivam uma visão ecumênica do mundo em todos os aspectos. Acreditam que as religiões existem devido às diferenças culturais e históricas da humanidade, mas que a maioria tem o mesmo valor. Não existem representantes religiosos ou deuses maiores ou mais importantes do que outros. Todos são importantes!
Se pretendemos transcender a nossa condição humana atual, o primeiro passo é começar a ver o mundo sem as fronteiras culturas, raciais e religiosas que nós mesmos criamos. Para isso pequenas atitudes no nosso dia e no contato com as pessoas, pode ser a grande diferença.

Além das conversas, gostam de elaborar enigmas um para o outro, e a cada vez se superam na criatividade. Um simples chocolate, não é somente dado, mas se torna uma verdadeira "caça ao tesouro" envolta em pistas, mistério e diversão.
Em uma dessas ocasiões, Renan foi visitar Ricardo, bem no final da tarde, e lhe entregou um novo desafio:

"Irmãs rígidas que adoram um café,
Uma delas incompreendida,
por ter diamante sob o pé"

- O que é isso? - Você deve estar brincando.
- Que nada! - e, desta vez não vou dar nenhuma pista.
- Eu prefiro assim!
Ricardo pensou um pouco... - "Irmãs", "café", e lembrou que eles freqüentavam muito a Doçaria "Papo de Anjo" para tomarem café com bolo de chocolate.
- Esse enigma com "café" me deu vontade de ir até a doçaria. - O que você acha de "pensarmos" por lá?
Renan concordou tentando parecer indiferente, mas era difícil ocultar sua ansiedade.
A doçaria é pequena e bem aconchegante. Dona Anita Bortz, a proprietária, sempre foi famosa pela sua receita tradicional de Apfelstrudel, um tipo de torta de maçã, de origem alemã, com canela, uva passa e muito carinho. - Além disso, ela também faz outros tipos de doces e salgados deliciosos.
Simplicidade, aconchego e requinte em um local excelente para desfrutar alguns momentos sozinho, ou na companhia de alguém especial.

Quando Ricardo chegou, seus olhos procuraram algum elemento que pudesse estar relacionado com as "irmãs rígidas", mas até o momento nada parecia lembrá-las.
Enquanto isso, Renan se sentou em uma das mesas, e Ricardo percebeu que ele parecia meio preocupado.
- Aconteceu alguma coisa, Renan?
- Eu acho que vou ter que fazer outro enigma.
- Por que?
- Eu tinha colado com fita adesiva, um chocolate "Diamante Negro" sob essa mesa, mas não está mais aqui.
- Então essa é uma das "irmãs" - riu ele. - Gostei da idéia. - Ficamos sem o "diamante sob o pé", mas valeu a aventura. - Mas, tem certeza que era essa mesa?
- Tenho sim!
- Mas e se estiver naquela? - sussurrou ele, pois havia um casal conversando na outra mesa. - Podemos tomar o nosso café aqui, enquanto esperamos, e assim que eles saírem vamos ver se aquela mesa é a "irmã incompreendida".
- Eles riram muito da situação inesperada, e logo que o casal saiu os dois mudaram de lugar rapidamente.
Renan colocou a mão sob a mesa, e de repente...
- Achei!
- Que bom - disse Ricardo. - Agora vamos comer o chocolate para comemorar.
Para sua surpresa ele percebeu que ao abrir a embalagem, havia um papel dobrado dentro dela.
- Você fez outro enigma e colocou aqui dentro?
- Desta vez não fui eu! - disse Renan também curioso.
Ricardo abriu o papel que estava escrito à mão com uma caligrafia exótica:

"Esperando quem possa fazer
uma atitude nobre para merecer.

Escolhido a cada Natal,
para conhecer o mundo elemental

O "Orbe" aguarda para despertar,
mas somente Apolônio pode ajudar.

No momento que terminou de ler a última palavra, uma nota musical incomum se fez ouvir no ambiente por alguns instantes. Chamou muito a atenção de Renan por possuir conhecimentos musicais, mas ele não comentou nada.
- Nossa! - Que enigma incrível.
- O mais estranho é como foi colocado dentro do chocolate, pois a embalagem estava inviolada.
- Acho que temos um mistério para desvendar, e desta vez com a diferença que vamos ter que pensar juntos. - Por falar em mistério, você percebeu o som que tocou quando você acabou de ler?
- Som? - Não percebi nada.
- Por alguns instantes ouvi o "lá universal" - Pode não ser nada, mas tenho um pressentimento que está relacionado com o enigma.
- Mas o que é esse "lá universal"?
- É uma nota de referência para a afinação de todos os instrumentos de uma orquestra. Tem uma freqüência de 440 MHz.
- Ah, eu já ouvi essa nota antes das apresentações.
- Ela tem até um histórico místico, pois alguns acreditam que se pudéssemos ouvir o som da criação, ele seria o "lá universal".

Os dois estavam perplexos com tudo. - Esse era com certeza o enigma mais estranho que eles já tinham visto.
Eles foram para casa e juntos tentaram desvendar. Pesquisaram na Internet e em livros por dias e semanas, mas não conseguiram nada que pudesse ajudá-los. O nome "Apolônio" parecia ser o primeiro passo, mas quem seria ele?

O tempo foi passando e apesar da perseverança dos dois, parecia não haver mais onde procurar por uma resposta.

Sete meses se passaram e chegou Dezembro trazendo a magia do Natal. Muito além das comemorações e a troca de presentes, o Natal é um período do ano onde o amor e os sentimentos mais nobres parecem ter um brilho maior do que durante os demais meses do ano. Um evento praticamente mundial que renova as esperanças de todos nós.

Suas famílias combinaram passar o Natal em Filipêndula. Uma pequena cidade com origem tradicionalmente pagã e cristã. - Famosa por suas comemorações natalinas envolvendo os costumes e elementos das duas crenças.
O nome da cidade tem origem na planta "Filipêndula Ulmária", muito abundante na região. Possui bonitas flores brancas e perfumadas. Tem usos medicinais há séculos, sendo conhecida popularmente como "aspirina vegetal", por seus efeitos semelhantes ao medicamento industrializado.
Além disso, ela também tem tradições místicas. Os Druidas a reverenciavam em conjunto com a Verbena e a Hortelã, como as três plantas mais sagradas.
Suas flores, em algumas culturas foram utilizadas para ornamentar os buquês das noivas, e muitos lares sempre possuíam um vaso com suas flores frescas para trazer paz e harmonia.

Eles escolheram ficar hospedados na "Pousada Facure", a mais tradicional da cidade. Um casarão antigo, mas finamente restaurado nos mínimos detalhes. Muito aconchegante e bem perto do centro da cidade. Como a cidade era pequena, todos estavam muito próximos.

Na praça central, para compor o cenário mágico da cidade, um Carvalho se destacava majestosamente. - Nas tradições antigas ele já estava naquele local mesmo antes da cidade ser construída, e alguns acreditavam que ele era como um guardião que zelava por todos.
Mesmo para quem não acredita nessas tradições, com certeza mudaria de idéia se tivesse a oportunidade de vê-lo.
Estava decorado sutilmente com pequenas lamparinas que pendiam simetricamente de seus galhos, sustentadas por longas correntes, formando um círculo de luz, tendo o tronco como parte central.

Além do Carvalho, a praça era circundada por doze Criptomérias, árvores que deram origem ao formato tradicional das árvores de Natal. - Elas pareciam criar um limite entre a praça e a cidade. Estavam decoradas com pequenas luzes, que cintilavam lenta e suavemente como pequenos vaga-lumes. Os enfeites com a predominância do vermelho e dourado tornavam a praça um lugar realmente natalino.
Todas as noites às 20 horas, um coral entoava canções, enquanto envolvia todos em uma aura de magia e encantamento.

Renan e Ricardo estavam ali mesmo, desfrutando desse encanto.
Ao se aproximarem do carvalho, Renan percebeu um detalhe:
- Olhe Ricardo. - Uma lamparina está apagada.
- É mesmo. - Acho que foi o vento...
- Espere aqui... - Renan encontrou um pequeno galho seco, e com ele, partilhou a chama acesa, com a que estava apagada. - Pronto, agora está bem melhor!
Nesse momento o "Lá universal" soou, marcando sua presença mágica.
Renan ficou impressionado:
- Ricardo! - Você ouviu esse som?
- Sim, ouvi.
- Esse é o mesmo som que tocou na doçaria.
Os dois se olharam e por um lapso de tempo, todas as lembranças daquele dia voltaram novamente.
Renan tirou do bolso o enigma que sempre carregava com ele, e leu novamente pensativo.
Ricardo se aproximou, passou seu braço pelos ombros do amigo, e disse:
- Ainda vamos conseguir descobrir esse mistério. - Tenho certeza!

Seguiram pelas ruas da cidade, agora admirando a decoração das casas. As luzes realçavam seus contornos de forma precisa e parecia torná-las parte de um sonho de Natal.

De repente perceberam que a rua não tinha saída, mas terminava em uma grande casa, que parecia abandonada. Nenhum enfeite de Natal, toda no escuro e só dava para perceber sutilmente um dos cômodos iluminado.
Uma velha mansão, com detalhes ocultos pelas sombras da noite. Os dois ficaram curiosos, quanto ao motivo daquela ser a única casa sem decoração de Natal.

No outro dia, logo após o delicioso café da manhã que a Sra. Lourdes havia preparado, eles perguntaram sobre a casa, e seu esposo o Sr. Nubor, contou a história:
- Essa é a mansão da família "Ulmária". Seus ancestrais foram os fundadores da cidade. A mansão sempre foi um lugar muito bonito, família numerosa, jardins maravilhosos, festas e Natais além da imaginação, mas hoje o proprietário mora lá sozinho e se tornou recluso e taciturno.

- Poucas vezes o vemos na cidade. - Várias pessoas o convidam para eventos e festas, mas ele sempre recusa. - Lamentamos por ele se fechar em si mesmo, mas respeitamos a sua privacidade.
Renan então perguntou, enquanto acariciava Said, o gato da pousada:
- Qual o nome dele?
- Sr. Apolônio.
Os dois ficaram sem palavras por um momento.
- Muito obrigado Sr. Nubor. - disse Renan já se despedindo.
Lá fora...
- É ele! - disseram em uníssono.
- Pelo menos o nome é igual. - E agora? - Batemos na porta dele e perguntamos se sabe sobre o "Orbe"? - ironizou Ricardo.
- Claro que não!
Resolveram ir até lá. A ansiedade e a esperança eram muito fortes. Pouco depois já podiam ver a "Mansão Ulmária". Imponente, bem menos sombria sob a luz do dia, mas abandonada quanto à conservação e jardinagem.

- Tocaram a campainha, e aguardaram... Viram um senhor os observando furtivamente através de uma das janelas que estava entreaberta.
- Bom dia Sr. Apolônio. - Gostaríamos de falar com o senhor.
- Ele fez um sinal negativo, fechou as cortinas, e se afastou.
- Eu acho que ele não vai nos atender. - disse Ricardo decepcionado.
- Vamos esperar mais um pouco.
De repente a porta de abriu e um senhor já de idade avançada, vem caminhando lentamente até o portão da casa. Cabelos grisalhos, postura ereta, um olhar triste, mas muito sagaz.
- Bom dia! - O que desejam?
- Bom dia! - Meu nome é Renan e esse é meu amigo Ricardo. - viemos passar o Natal aqui em "Filipêndula" com nossa família e ontem passamos por aqui e gostamos muito da sua casa.
- Como sabem o meu nome?
- Bem, perguntamos na cidade e comentaram.
- É só uma casa grande e velha. - disse ele sem nenhum entusiasmo. - Não há nada para ver.
Ricardo olhou para Renan, enquanto ele retirava o enigma do bolso e entregava para o Sr. Apolônio.
- Recebemos há alguns meses, e gostaríamos de saber se o senhor poderia nos ajudar. - Tem o seu nome nele.
Apolônio leu atentamente, quase sem alterar sua fisionomia, e os dois aguardavam ansiosos a sua reação.
- Realmente é o meu nome, mas infelizmente eu não sei nada sobre isso. - Sinto muito!
Os dois ficaram muito desanimados.
- Obrigado mesmo assim. - disse Ricardo.
Renan também se despediu, e eles caminharam inconformados com a situação. Depois de algum tempo Renan disse:
- Ricardo! - Independente do enigma eu gostaria de ajudar o Sr. Apolônio. - Ele parece muito sozinho e acho que podemos fazer algo. - O que você acha?
- Claro que sim! - Você teve alguma idéia?
- Sim, vamos comprar algum enfeite de Natal para ele.

Os dois foram até o centro da cidade e procuraram uma guirlanda bem bonita. Pretendiam dar de presente para o Sr. Apolônio, na esperança que ele se sensibilizasse novamente com o Natal.
Havia vários modelos e tamanhos, e a escolha não foi fácil, mas uma delas definitivamente os encantou.

Quando retornaram à mansão, e ninguém atendeu, resolveram deixar o presente na porta de entrada, com um cartão.
Nesse momento soou o "lá universal" novamente, deixando-os intrigados com o mistério deste som que parecia surgir nos momentos mais incomuns.
Enquanto estavam saindo, o Sr. Apolônio viu que eram eles novamente, mas não se manifestou.
Depois que foram embora, ele foi até o portão e pegou o presente. - Era uma linda caixa decorada com estrelas douradas sobre um papel vermelho com filigranas, e um grande laço verde musgo de veludo.
Quando abriu a caixa, se destacava sobre papéis de seda brancos, uma guirlanda maravilhosa feita com folhas de azevinho e "Filipêndula Ulmária", a origem do sobrenome da sua família.
Para alguns poderia ser uma atitude simples, mas Apolônio sentiu uma emoção forte, uma sensação que parecia estar esquecida dentro dele. Ele se emocionou muito com a atitude dos rapazes.

O tempo e as circunstâncias o havia tornado um homem muito solitário, mas no outro dia, manhã do dia 24 de dezembro, a mansão do Sr. Apolônio estava agitada. Ele acordou cedo, abriu todas as janelas, que normalmente permaneciam fechadas, e colocou a guirlanda na porta de entrada.
Começou a enfeitar a parte externa da casa, com o que estava em algumas caixas que encontrou no sótão, dos tempos em que a mansão era um exemplo de decoração natalina.

Renan e Ricardo passaram na frente da casa e viram ao longe a Guirlanda na porta de entrada. Ficaram muito felizes, e o Sr. Apolônio se apressou para encontrá-los.
- Ah, meus amigos. - Sou muito grato pelo presente. - Parece que estou me sentindo livre de mim mesmo. - Se me entendem...
Ele deu um abraço em cada um desejando um Feliz Natal e os convidou para entrar.
A casa ainda precisava de muitas mudanças, mas já era possível sentir um astral de esperança.
Ele mostrou os principais cômodos e um dos locais que eles mais gostaram, ficava dentro de uma torre que havia na casa. Um quarto todo envidraçado, com uma visão ampla, inclusive do nascer e por do sol. Um local excelente para ficar um tempo lendo, conversando ou fazendo uma meditação.
O fundo da casa tinha como cenário uma linda floresta, com árvores centenárias, que entusiasmaram os dois.
- Renan, veja isso! - parece uma daquelas florestas do filme "O Senhor dos Anéis".
- Podem ficar à vontade para conhecer. - Tem uma trilha principal que vai até as margens de um pequeno riacho. - Vou voltar para o jardim e continuar com a decoração de Natal.
Os dois agradeceram a hospitalidade e sem perder tempo rumaram para a floresta. Andaram por algum tempo e logo à frente perceberam que havia alguém vindo na direção deles. Porém o sol passando por entre as árvores, não permitia que se visse nitidamente, mas a forma física e as roupas, logo os fizeram pensar que estavam sonhando, pois era alguém vestido como o "Papai Noel".
- Bom dia Papai Noel. - O senhor está fazendo uma caminhada também? - perguntou Ricardo sorrindo.
- Talvez sim! - Quem sabe encontro o "Orbe".
Os dois ficaram perplexos e em silêncio por alguns momentos.
- O senhor o conhece? - perguntou Renan. - Mas como?
- Vamos com calma, pois vou esclarecer tudo. - Renan e Ricardo, meu nome é Veynar. - Eu sou o Papai Noel "de verdade". - Pessoalmente não gosto muito de dizer dessa forma. - riu ele.
- Como assim? - Aquele que alguns acreditam que seja uma lenda? - perguntou Renan empolgado.
- Esse mesmo! - para alguns eu serei sempre uma lenda. - Gostaria de elogiar os dois, pela atitude que tiveram com o Sr.Apolônio. - Sem ele vocês jamais chegariam nessa floresta, e também não conseguiriam desvendar o enigma que eu deixei.
- Estamos há meses tentando decifrá-lo. - disse Ricardo.
Tenho observado vocês dois há algumas existências, e sua amizade tem vencido até mesmo o véu do esquecimento que divide, na maioria das vezes, as nossas lembranças. - Vocês, de alguma forma, acabam sempre se reencontrando e se tornando grandes amigos. - Ambos cultivam e buscam uma vida simples e verdadeira, e suas atitudes tem tido grandes repercussões, muito mais do que imaginam. - Vamos seguindo enquanto lhes conto tudo.
Os dois estavam tão envolvidos com a emoção que suas mentes nem ousavam interromper com perguntas.

- A cada ano, eu escolho uma ou mais pessoas para receberem como presente de Natal, a oportunidade de conhecerem o "Orbe Elemental". - Ele é uma esfera de energia, colocada em cada planeta no momento da sua criação, como a semente do mundo Elemental.
- Terra, fogo, água e ar. - disse Renan.
De repente eles vêem uma clareira circular que parecia bem conhecida.
- Mas essa é a praça da cidade! - disse Ricardo.
- Na verdade os turistas e moradores só vêem a parte material, e aqui nós temos a oportunidade de ver e sentir o que realmente existe naquele local mágico.
Aos poucos eles iam percebendo grandes diferenças e detalhes sutis. Sentiam como se estivessem em um sonho.
As Criptomérias reluziam com a luz de pequenos vagalumes, e podia-se perceber o cintilar de fadas e elfos que brincavam por entre seus galhos. Tudo parecia emanar uma luz tênue e suave.
O carvalho era impressionante. Seus galhos mais altos pareciam tocar com suavidade algumas nuvens brancas, e suas folhas pareciam ondular lentamente, com se estivessem ao vento.
- Papai Noel, isso é um sonho? - perguntou Ricardo.
- Com certeza não. - Pode não parecer, mas o mundo de vocês é que é um sonho. Não o mundo em si, mas a percepção que a maioria tem dele.

- Meus amigos, esse é "Nai Om", o Carvalho.
Os dois nem sabiam se deviam cumprimentar a árvore, mas fizeram uma pequena reverência.
Nesse momento o "lá universal" soou novamente.

Ao lado direito do Carvalho havia alguém que desde que eles chegaram estava de costas. Ele trajava um manto longo com capuz. O tecido era ornamentado com desenhos de folhas e frutos de carvalho em um tom verde forte, sobre um fundo preto. A confluência desses padrões criavam, no centro das costas, um antropomorfismo do "GreenMan". Um ser mítico presente em muitas culturas sob diversos nomes.

O ser virou-se lentamente na direção deles e disse:
- Boa noite, Renan e Ricardo. - Veynar havia comentado sobre vocês dois há muito tempo e fico feliz em conhecê-los. Por falar nisso, Renan, obrigado por acender a minha lamparina.

E continuou:
- Sou o "Elemental Guardião das Florestas" e o carvalho é minha representação física... Gostaria de lhes entregar um presente de Natal.

O Guardião esticou a mão e entregou uma caixa a Renan, dizendo:
- Este é o "Orbe Elemental"... - Dentro desta caixa tem um presente pra cada um de vocês.

Renan e Ricardo ficaram surpresos... Era uma caixa de madeira com vários símbolos marcados em relevo, dentre eles o infinito, o pentagrama e o hexagrama. Na tampa, um ideograma de amizade e uma triquetra eram guardados por um orbe de luz intensa e enigmática.

O Guardião, ao perceber que, nem Renan, nem Ricardo, sabiam como abrir a caixa, disse:
- Está caixa só pode ser aberta com a mais pura amizade...
Entendendo a magia ali presente, Ricardo estendeu a mão e tocou a caixa que Renan segurava. Neste momento, o som do "lá universal" soou novamente, e o orbe se elevou cintilando em todas as cores do arco-íris. De repente, a tampa se abriu ao meio e uma luz verde iluminou o olhar atendo dos dois aventureiros, deixando-se ver um símbolo desconhecido de um lado da tampa e o "Phi" no outro.

Quando os olhos dos amigos conseguiram se acostumar com a luz, identificaram imediatamente que o brilho vinha dos símbolos que representavam os quatro elementos fundamentais (terra, fogo, ar e água) e que, junto deles, havia dois pendentes de prata, emoldurados por folhas de carvalho finamente recordadas.
- Estes símbolos mágicos foram criados pelo orbe e envolvem um dos elementos mais importantes dessa vida: o som! - Anunciou o Guardião.

Os amigos colocaram seus pendentes e agradeceram muito a honra de serem agraciados com eles. Nesse momento "Nai Om" revelou somente a eles, um mantram ou palavra de poder, que poderia ser utilizado quando quisessem fazer uma meditação.

Veynar se aproximou:
- O presente não é somente a oportunidade de conhecer o mundo do "Orbe Elemental" e ganhar os pendentes. - Representa muito mais do que isto. - É uma forma de valorizar e comprovar o que vocês acreditavam existir, e esperamos que tudo isso reforce em vocês a vontade de seguir sempre o caminho traçado por suas almas. - Não se deixem iludir pelos costumes e hábitos que a maioria segue. Muitas vezes suas atitudes e forma de ser pode parecer isolá-los do mundo, mas confio em suas perseveranças.
- O som é um elemento fundamental no seu mundo e em outros também. Infelizmente ele vem sendo mal utilizado e causando grandes desequilíbrios físicos e da própria natureza.
- Nem todas as combinações de notas musicais são benéficas para serem ouvidas. Não é somente uma questão de gostar, pois algumas delas, e parece que hoje a maioria, são criadas por pessoas expressando emoções negativas que mesmo sem ter a intenção acabam por envenenar o corpo e a mente de quem as ouve. - Sons estridentes e em alto volume, devem ser evitados sempre. - Procurem músicas harmoniosas e que foram criadas com o coração, e procure ouvi-las num volume apropriado, sentindo cada nota. - Tudo deve ser feito com equilíbrio, e os momentos de silêncio interior também devem estar presentes, pois são neles que descobrimos uma das formas mais simples de sermos felizes: "Pensar menos e sentir muito mais."

Ao se despedirem e retornarem pela trilha, em direção à casa, encontraram o Sr. Apolônio ainda envolvido com a decoração. Aproveitaram para comentar com ele sobre a aventura envolvendo o "som". Ele ficou entusiasmado, pois era pianista e valorizava muito a música clássica.
O Natal daquele ano na cidade de Filipêndula foi talvez um dos mais bonitos.
A notícia do "renascimento" da "Mansão Ulmária" mobilizou a cidade e todos resolveram caminhar até lá.
Sr. Apolônio ouviu uma música e saiu para ver o que era. Ficou emocionado com a aproximação de dezenas de pessoas com velas acesas, e o som do coral à frente.
A reunião na frente da casa foi muito afetuosa e mágica. Ele convidou todos para entrar e alguns trouxeram doces e salgados para festejarem juntos.
Muitas crianças andavam pela mansão, doando sua pureza para esse grande momento.
Renan e Ricardo se afastaram por alguns momentos, e subiram as escadas para ver mais uma vez o quarto da torre, e quando abriram a porta, ouviram o "lá universal", e não puderam acreditar em seus olhos... Dezenas e dezenas de presentes preenchiam o quarto, e todos com um cartão endereçado a cada visitante da mansão naquela noite, e o remetente: "Papai Noel".
Esperamos sinceramente que cada um que participou conosco dessa aventura, tenha um Natal mágico e sempre repleto de amor.

Um grande abraço
Renan e Ricardo

Gostaria de agradecer à minha esposa Rita Aubim pelo amor e incentivo para escrever esse Conto de Natal, e ao meu amigo: Renan Tenório de Lima, pela amizade, pureza e magia que me motivaram a homenageá-lo neste ano.





Esta página é atualizada periodicamente. Volte sempre para ver os novos contos.
(Última atualização em 21/12/2011).


Preencha os campos abaixo se quiser ser informado a cada novo conto.

Nome :

E-mail :




| HOME | ORIGAMI | PRISMA | ERA UMA VEZ... | AMIZADES 
| ORÁCULO | HOT-LINKS | NOSSAS FOTOS | FILMESESCREVA PARA NÓS 

©1997-2011, Chave Mágica
by Leandro Amaral e Ricardo Namur
Ilustrações em aquarela: Sérgio Ramos