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O ORBE ELEMENTAL
 Estamos
no mês de Maio, comemorando os aniversários de Renan
e Ricardo, dois rapazes que se conheceram há apenas um
mês e já se consideram amigos. Desde o início
tiveram uma grande afinidade, quanto à forma de ver e
sentir o mundo. Os temas que gostam de conversar são sobre
a evolução espiritual, documentários, Atlântida,
chakras, aura, vida extraterrestre e outros assuntos intrigantes.
Ambos não têm nenhuma religião específica,
mas cultivam uma visão ecumênica do mundo em todos
os aspectos. Acreditam que as religiões existem devido
às diferenças culturais e históricas da
humanidade, mas que a maioria tem o mesmo valor. Não existem
representantes religiosos ou deuses maiores ou mais importantes
do que outros. Todos são importantes!
Se pretendemos transcender a nossa condição humana
atual, o primeiro passo é começar a ver o mundo
sem as fronteiras culturas, raciais e religiosas que nós
mesmos criamos. Para isso pequenas atitudes no nosso dia e no
contato com as pessoas, pode ser a grande diferença.
Além das conversas,
gostam de elaborar enigmas um para o outro, e a cada vez se superam
na criatividade. Um simples chocolate, não é somente
dado, mas se torna uma verdadeira "caça ao tesouro"
envolta em pistas, mistério e diversão.
Em uma dessas ocasiões, Renan foi visitar Ricardo, bem
no final da tarde, e lhe entregou um novo desafio:
"Irmãs rígidas
que adoram um café,
Uma delas incompreendida,
por ter diamante sob o pé"
- O que é isso? - Você
deve estar brincando.
- Que nada! - e, desta vez não vou dar nenhuma pista.
- Eu prefiro assim!
Ricardo pensou um pouco... - "Irmãs", "café",
e lembrou que eles freqüentavam muito a Doçaria "Papo
de Anjo" para tomarem café com bolo de chocolate.
- Esse enigma com "café" me deu vontade de ir
até a doçaria. - O que você acha de "pensarmos"
por lá?
Renan concordou tentando parecer indiferente, mas era difícil
ocultar sua ansiedade.
A doçaria é pequena e bem aconchegante. Dona Anita
Bortz, a proprietária, sempre foi famosa pela sua receita
tradicional de Apfelstrudel, um tipo de torta de maçã,
de origem alemã, com canela, uva passa e muito carinho.
- Além disso, ela também faz outros tipos de doces
e salgados deliciosos.
Simplicidade, aconchego e requinte em um local excelente para
desfrutar alguns momentos sozinho, ou na companhia de alguém
especial.
Quando Ricardo chegou, seus
olhos procuraram algum elemento que pudesse estar relacionado
com as "irmãs rígidas", mas até
o momento nada parecia lembrá-las.
Enquanto isso, Renan se sentou em uma das mesas, e Ricardo percebeu
que ele parecia meio preocupado.
- Aconteceu alguma coisa, Renan?
- Eu acho que vou ter que fazer outro enigma.
- Por que?
- Eu tinha colado com fita adesiva, um chocolate "Diamante
Negro" sob essa mesa, mas não está mais aqui.
- Então essa é uma das "irmãs"
- riu ele. - Gostei da idéia. - Ficamos sem o "diamante
sob o pé", mas valeu a aventura. - Mas, tem certeza
que era essa mesa?
- Tenho sim!
- Mas e se estiver naquela? - sussurrou ele, pois havia um casal
conversando na outra mesa. - Podemos tomar o nosso café
aqui, enquanto esperamos, e assim que eles saírem vamos
ver se aquela mesa é a "irmã incompreendida".
- Eles riram muito da situação inesperada, e logo
que o casal saiu os dois mudaram de lugar rapidamente.
Renan colocou a mão sob a mesa, e de repente...
- Achei!
- Que bom - disse Ricardo. - Agora vamos comer o chocolate para
comemorar.
Para sua surpresa ele percebeu que ao abrir a embalagem, havia
um papel dobrado dentro dela.
- Você fez outro enigma e colocou aqui dentro?
- Desta vez não fui eu! - disse Renan também curioso.
Ricardo abriu o papel que estava escrito à mão
com uma caligrafia exótica:
"Esperando quem possa
fazer
uma atitude nobre para merecer.
Escolhido a cada Natal,
para conhecer o mundo elemental
O "Orbe" aguarda
para despertar,
mas somente Apolônio pode ajudar.
No momento que terminou de
ler a última palavra, uma nota musical incomum se fez
ouvir no ambiente por alguns instantes. Chamou muito a atenção
de Renan por possuir conhecimentos musicais, mas ele não
comentou nada.
- Nossa! - Que enigma incrível.
- O mais estranho é como foi colocado dentro do chocolate,
pois a embalagem estava inviolada.
- Acho que temos um mistério para desvendar, e desta vez
com a diferença que vamos ter que pensar juntos. - Por
falar em mistério, você percebeu o som que tocou
quando você acabou de ler?
- Som? - Não percebi nada.
- Por alguns instantes ouvi o "lá universal"
- Pode não ser nada, mas tenho um pressentimento que está
relacionado com o enigma.
- Mas o que é esse "lá universal"?
- É uma nota de referência para a afinação
de todos os instrumentos de uma orquestra. Tem uma freqüência
de 440 MHz.
- Ah, eu já ouvi essa nota antes das apresentações.
- Ela tem até um histórico místico, pois
alguns acreditam que se pudéssemos ouvir o som da criação,
ele seria o "lá universal".
Os dois estavam perplexos com
tudo. - Esse era com certeza o enigma mais estranho que eles
já tinham visto.
Eles foram para casa e juntos tentaram desvendar. Pesquisaram
na Internet e em livros por dias e semanas, mas não conseguiram
nada que pudesse ajudá-los. O nome "Apolônio"
parecia ser o primeiro passo, mas quem seria ele?
O tempo foi passando e apesar
da perseverança dos dois, parecia não haver mais
onde procurar por uma resposta.
Sete meses se passaram e chegou
Dezembro trazendo a magia do Natal. Muito além das comemorações
e a troca de presentes, o Natal é um período do
ano onde o amor e os sentimentos mais nobres parecem ter um brilho
maior do que durante os demais meses do ano. Um evento praticamente
mundial que renova as esperanças de todos nós.
Suas famílias combinaram
passar o Natal em Filipêndula. Uma pequena cidade com origem
tradicionalmente pagã e cristã. - Famosa por suas
comemorações natalinas envolvendo os costumes e
elementos das duas crenças.
O nome da cidade tem origem na planta "Filipêndula
Ulmária", muito abundante na região. Possui
bonitas flores brancas e perfumadas. Tem usos medicinais há
séculos, sendo conhecida popularmente como "aspirina
vegetal", por seus efeitos semelhantes ao medicamento industrializado.
Além disso, ela também tem tradições
místicas. Os Druidas a reverenciavam em conjunto com a
Verbena e a Hortelã, como as três plantas mais sagradas.
Suas flores, em algumas culturas foram utilizadas para ornamentar
os buquês das noivas, e muitos lares sempre possuíam
um vaso com suas flores frescas para trazer paz e harmonia.
Eles escolheram ficar hospedados
na "Pousada Facure", a mais tradicional da cidade.
Um casarão antigo, mas finamente restaurado nos mínimos
detalhes. Muito aconchegante e bem perto do centro da cidade.
Como a cidade era pequena, todos estavam muito próximos.
Na praça central, para
compor o cenário mágico da cidade, um Carvalho
se destacava majestosamente. - Nas tradições antigas
ele já estava naquele local mesmo antes da cidade ser
construída, e alguns acreditavam que ele era como um guardião
que zelava por todos.
Mesmo para quem não acredita nessas tradições,
com certeza mudaria de idéia se tivesse a oportunidade
de vê-lo.
Estava decorado sutilmente com pequenas lamparinas que pendiam
simetricamente de seus galhos, sustentadas por longas correntes,
formando um círculo de luz, tendo o tronco como parte
central.
Além do Carvalho, a
praça era circundada por doze Criptomérias, árvores
que deram origem ao formato tradicional das árvores de
Natal. - Elas pareciam criar um limite entre a praça e
a cidade. Estavam decoradas com pequenas luzes, que cintilavam
lenta e suavemente como pequenos vaga-lumes. Os enfeites com
a predominância do vermelho e dourado tornavam a praça
um lugar realmente natalino.
Todas as noites às 20 horas, um coral entoava canções,
enquanto envolvia todos em uma aura de magia e encantamento.
Renan e Ricardo estavam ali
mesmo, desfrutando desse encanto.
Ao se aproximarem do carvalho, Renan percebeu um detalhe:
- Olhe Ricardo. - Uma lamparina está apagada.
- É mesmo. - Acho que foi o vento...
- Espere aqui... - Renan encontrou um pequeno galho seco, e com
ele, partilhou a chama acesa, com a que estava apagada. - Pronto,
agora está bem melhor!
Nesse momento o "Lá universal" soou, marcando
sua presença mágica.
Renan ficou impressionado:
- Ricardo! - Você ouviu esse som?
- Sim, ouvi.
- Esse é o mesmo som que tocou na doçaria.
Os dois se olharam e por um lapso de tempo, todas as lembranças
daquele dia voltaram novamente.
Renan tirou do bolso o enigma que sempre carregava com ele, e
leu novamente pensativo.
Ricardo se aproximou, passou seu braço pelos ombros do
amigo, e disse:
- Ainda vamos conseguir descobrir esse mistério. - Tenho
certeza!
Seguiram pelas ruas da cidade,
agora admirando a decoração das casas. As luzes
realçavam seus contornos de forma precisa e parecia torná-las
parte de um sonho de Natal.
De repente perceberam que a
rua não tinha saída, mas terminava em uma grande
casa, que parecia abandonada. Nenhum enfeite de Natal, toda no
escuro e só dava para perceber sutilmente um dos cômodos
iluminado.
Uma velha mansão, com detalhes ocultos pelas sombras da
noite. Os dois ficaram curiosos, quanto ao motivo daquela ser
a única casa sem decoração de Natal.
No outro dia, logo após
o delicioso café da manhã que a Sra. Lourdes havia
preparado, eles perguntaram sobre a casa, e seu esposo o Sr.
Nubor, contou a história:
- Essa é a mansão da família "Ulmária".
Seus ancestrais foram os fundadores da cidade. A mansão
sempre foi um lugar muito bonito, família numerosa, jardins
maravilhosos, festas e Natais além da imaginação,
mas hoje o proprietário mora lá sozinho e se tornou
recluso e taciturno.
- Poucas vezes o vemos na cidade.
- Várias pessoas o convidam para eventos e festas, mas
ele sempre recusa. - Lamentamos por ele se fechar em si mesmo,
mas respeitamos a sua privacidade.
Renan então perguntou, enquanto acariciava Said, o gato
da pousada:
- Qual o nome dele?
- Sr. Apolônio.
Os dois ficaram sem palavras por um momento.
- Muito obrigado Sr. Nubor. - disse Renan já se despedindo.
Lá fora...
- É ele! - disseram em uníssono.
- Pelo menos o nome é igual. - E agora? - Batemos na porta
dele e perguntamos se sabe sobre o "Orbe"? - ironizou
Ricardo.
- Claro que não!
Resolveram ir até lá. A ansiedade e a esperança
eram muito fortes. Pouco depois já podiam ver a "Mansão
Ulmária". Imponente, bem menos sombria sob a luz
do dia, mas abandonada quanto à conservação
e jardinagem.
- Tocaram a campainha, e aguardaram...
Viram um senhor os observando furtivamente através de
uma das janelas que estava entreaberta.
- Bom dia Sr. Apolônio. - Gostaríamos de falar com
o senhor.
- Ele fez um sinal negativo, fechou as cortinas, e se afastou.
- Eu acho que ele não vai nos atender. - disse Ricardo
decepcionado.
- Vamos esperar mais um pouco.
De repente a porta de abriu e um senhor já de idade avançada,
vem caminhando lentamente até o portão da casa.
Cabelos grisalhos, postura ereta, um olhar triste, mas muito
sagaz.
- Bom dia! - O que desejam?
- Bom dia! - Meu nome é Renan e esse é meu amigo
Ricardo. - viemos passar o Natal aqui em "Filipêndula"
com nossa família e ontem passamos por aqui e gostamos
muito da sua casa.
- Como sabem o meu nome?
- Bem, perguntamos na cidade e comentaram.
- É só uma casa grande e velha. - disse ele sem
nenhum entusiasmo. - Não há nada para ver.
Ricardo olhou para Renan, enquanto ele retirava o enigma do bolso
e entregava para o Sr. Apolônio.
- Recebemos há alguns meses, e gostaríamos de saber
se o senhor poderia nos ajudar. - Tem o seu nome nele.
Apolônio leu atentamente, quase sem alterar sua fisionomia,
e os dois aguardavam ansiosos a sua reação.
- Realmente é o meu nome, mas infelizmente eu não
sei nada sobre isso. - Sinto muito!
Os dois ficaram muito desanimados.
- Obrigado mesmo assim. - disse Ricardo.
Renan também se despediu, e eles caminharam inconformados
com a situação. Depois de algum tempo Renan disse:
- Ricardo! - Independente do enigma eu gostaria de ajudar o Sr.
Apolônio. - Ele parece muito sozinho e acho que podemos
fazer algo. - O que você acha?
- Claro que sim! - Você teve alguma idéia?
- Sim, vamos comprar algum enfeite de Natal para ele.
Os dois foram até o
centro da cidade e procuraram uma guirlanda bem bonita. Pretendiam
dar de presente para o Sr. Apolônio, na esperança
que ele se sensibilizasse novamente com o Natal.
Havia vários modelos e tamanhos, e a escolha não
foi fácil, mas uma delas definitivamente os encantou.
Quando retornaram à
mansão, e ninguém atendeu, resolveram deixar o
presente na porta de entrada, com um cartão.
Nesse momento soou o "lá universal" novamente,
deixando-os intrigados com o mistério deste som que parecia
surgir nos momentos mais incomuns.
Enquanto estavam saindo, o Sr. Apolônio viu que eram eles
novamente, mas não se manifestou.
Depois que foram embora, ele foi até o portão e
pegou o presente. - Era uma linda caixa decorada com estrelas
douradas sobre um papel vermelho com filigranas, e um grande
laço verde musgo de veludo.
Quando abriu a caixa, se destacava sobre papéis de seda
brancos, uma guirlanda maravilhosa feita com folhas de azevinho
e "Filipêndula Ulmária", a origem do sobrenome
da sua família.
Para alguns poderia ser uma atitude simples, mas Apolônio
sentiu uma emoção forte, uma sensação
que parecia estar esquecida dentro dele. Ele se emocionou muito
com a atitude dos rapazes.
O tempo e as circunstâncias
o havia tornado um homem muito solitário, mas no outro
dia, manhã do dia 24 de dezembro, a mansão do Sr.
Apolônio estava agitada. Ele acordou cedo, abriu todas
as janelas, que normalmente permaneciam fechadas, e colocou a
guirlanda na porta de entrada.
Começou a enfeitar a parte externa da casa, com o que
estava em algumas caixas que encontrou no sótão,
dos tempos em que a mansão era um exemplo de decoração
natalina.
Renan e Ricardo passaram na
frente da casa e viram ao longe a Guirlanda na porta de entrada.
Ficaram muito felizes, e o Sr. Apolônio se apressou para
encontrá-los.
- Ah, meus amigos. - Sou muito grato pelo presente. - Parece
que estou me sentindo livre de mim mesmo. - Se me entendem...
Ele deu um abraço em cada um desejando um Feliz Natal
e os convidou para entrar.
A casa ainda precisava de muitas mudanças, mas já
era possível sentir um astral de esperança.
Ele mostrou os principais cômodos e um dos locais que eles
mais gostaram, ficava dentro de uma torre que havia na casa.
Um quarto todo envidraçado, com uma visão ampla,
inclusive do nascer e por do sol. Um local excelente para ficar
um tempo lendo, conversando ou fazendo uma meditação.
O fundo da casa tinha como cenário uma linda floresta,
com árvores centenárias, que entusiasmaram os dois.
- Renan, veja isso! - parece uma daquelas florestas do filme
"O Senhor dos Anéis".
- Podem ficar à vontade para conhecer. - Tem uma trilha
principal que vai até as margens de um pequeno riacho.
- Vou voltar para o jardim e continuar com a decoração
de Natal.
Os dois agradeceram a hospitalidade e sem perder tempo rumaram
para a floresta. Andaram por algum tempo e logo à frente
perceberam que havia alguém vindo na direção
deles. Porém o sol passando por entre as árvores,
não permitia que se visse nitidamente, mas a forma física
e as roupas, logo os fizeram pensar que estavam sonhando, pois
era alguém vestido como o "Papai Noel".
- Bom dia Papai Noel. - O senhor está fazendo uma caminhada
também? - perguntou Ricardo sorrindo.
- Talvez sim! - Quem sabe encontro o "Orbe".
Os dois ficaram perplexos e em silêncio por alguns momentos.
- O senhor o conhece? - perguntou Renan. - Mas como?
- Vamos com calma, pois vou esclarecer tudo. - Renan e Ricardo,
meu nome é Veynar. - Eu sou o Papai Noel "de verdade".
- Pessoalmente não gosto muito de dizer dessa forma.
- riu ele.
- Como assim? - Aquele que alguns acreditam que seja uma lenda?
- perguntou Renan empolgado.
- Esse mesmo! - para alguns eu serei sempre uma lenda. - Gostaria
de elogiar os dois, pela atitude que tiveram com o Sr.Apolônio.
- Sem ele vocês jamais chegariam nessa floresta, e também
não conseguiriam desvendar o enigma que eu deixei.
- Estamos há meses tentando decifrá-lo. - disse
Ricardo.
Tenho observado vocês dois há algumas existências,
e sua amizade tem vencido até mesmo o véu do esquecimento
que divide, na maioria das vezes, as nossas lembranças.
- Vocês, de alguma forma, acabam sempre se reencontrando
e se tornando grandes amigos. - Ambos cultivam e buscam uma vida
simples e verdadeira, e suas atitudes tem tido grandes repercussões,
muito mais do que imaginam. - Vamos seguindo enquanto lhes conto
tudo.
Os dois estavam tão envolvidos com a emoção
que suas mentes nem ousavam interromper com perguntas.
- A cada ano, eu escolho uma
ou mais pessoas para receberem como presente de Natal, a oportunidade
de conhecerem o "Orbe Elemental". - Ele é uma
esfera de energia, colocada em cada planeta no momento da sua
criação, como a semente do mundo Elemental.
- Terra, fogo, água e ar. - disse Renan.
De repente eles vêem uma clareira circular que parecia
bem conhecida.
- Mas essa é a praça da cidade! - disse Ricardo.
- Na verdade os turistas e moradores só vêem a parte
material, e aqui nós temos a oportunidade de ver e sentir
o que realmente existe naquele local mágico.
Aos poucos eles iam percebendo grandes diferenças e detalhes
sutis. Sentiam como se estivessem em um sonho.
As Criptomérias reluziam com a luz de pequenos vagalumes,
e podia-se perceber o cintilar de fadas e elfos que brincavam
por entre seus galhos. Tudo parecia emanar uma luz tênue
e suave.
O carvalho era impressionante. Seus galhos mais altos pareciam
tocar com suavidade algumas nuvens brancas, e suas folhas pareciam
ondular lentamente, com se estivessem ao vento.
- Papai Noel, isso é um sonho? - perguntou Ricardo.
- Com certeza não. - Pode não parecer, mas o mundo
de vocês é que é um sonho. Não o mundo
em si, mas a percepção que a maioria tem dele.
- Meus amigos, esse é
"Nai Om", o Carvalho.
Os dois nem sabiam se deviam cumprimentar a árvore, mas
fizeram uma pequena reverência.
Nesse momento o "lá universal" soou novamente.
Ao lado direito do Carvalho
havia alguém que desde que eles chegaram estava de costas.
Ele trajava um manto longo com capuz. O tecido era ornamentado
com desenhos de folhas e frutos de carvalho em um tom verde forte,
sobre um fundo preto. A confluência desses padrões
criavam, no centro das costas, um antropomorfismo do "GreenMan".
Um ser mítico presente em muitas culturas sob diversos
nomes.
O ser virou-se lentamente na direção deles e disse:
- Boa noite, Renan e Ricardo. - Veynar havia comentado sobre
vocês dois há muito tempo e fico feliz em conhecê-los.
Por falar nisso, Renan, obrigado por acender a minha lamparina.
E continuou:
- Sou o "Elemental Guardião das Florestas" e
o carvalho é minha representação física...
Gostaria de lhes entregar um presente de Natal.
O Guardião esticou a mão e entregou uma caixa a
Renan, dizendo:
- Este é o "Orbe Elemental"... - Dentro desta
caixa tem um presente pra cada um de vocês.
Renan e Ricardo ficaram surpresos... Era uma caixa de madeira
com vários símbolos marcados em relevo, dentre
eles o infinito, o pentagrama e o hexagrama. Na tampa, um ideograma
de amizade e uma triquetra eram guardados por um orbe de luz
intensa e enigmática.
O Guardião, ao perceber que, nem Renan, nem Ricardo, sabiam
como abrir a caixa, disse:
- Está caixa só pode ser aberta com a mais pura
amizade...
Entendendo a magia ali presente, Ricardo estendeu a mão
e tocou a caixa que Renan segurava. Neste momento, o som do "lá
universal" soou novamente, e o orbe se elevou cintilando
em todas as cores do arco-íris. De repente, a tampa se
abriu ao meio e uma luz verde iluminou o olhar atendo dos dois
aventureiros, deixando-se ver um símbolo desconhecido
de um lado da tampa e o "Phi" no outro.
Quando os olhos dos amigos conseguiram se acostumar com a luz,
identificaram imediatamente que o brilho vinha dos símbolos
que representavam os quatro elementos fundamentais (terra, fogo,
ar e água) e que, junto deles, havia dois pendentes de
prata, emoldurados por folhas de carvalho finamente recordadas.
- Estes símbolos mágicos foram criados pelo orbe
e envolvem um dos elementos mais importantes dessa vida: o som!
- Anunciou o Guardião.
Os amigos colocaram seus pendentes e agradeceram muito a honra
de serem agraciados com eles. Nesse momento "Nai Om"
revelou somente a eles, um mantram ou palavra de poder, que poderia
ser utilizado quando quisessem fazer uma meditação.
Veynar se aproximou:
- O presente não é somente a oportunidade de conhecer
o mundo do "Orbe Elemental" e ganhar os pendentes.
- Representa muito mais do que isto. - É uma forma de
valorizar e comprovar o que vocês acreditavam existir,
e esperamos que tudo isso reforce em vocês a vontade de
seguir sempre o caminho traçado por suas almas. - Não
se deixem iludir pelos costumes e hábitos que a maioria
segue. Muitas vezes suas atitudes e forma de ser pode parecer
isolá-los do mundo, mas confio em suas perseveranças.
- O som é um elemento fundamental no seu mundo e em outros
também. Infelizmente ele vem sendo mal utilizado e causando
grandes desequilíbrios físicos e da própria
natureza.
- Nem todas as combinações de notas musicais são
benéficas para serem ouvidas. Não é somente
uma questão de gostar, pois algumas delas, e parece que
hoje a maioria, são criadas por pessoas expressando emoções
negativas que mesmo sem ter a intenção acabam por
envenenar o corpo e a mente de quem as ouve. - Sons estridentes
e em alto volume, devem ser evitados sempre. - Procurem músicas
harmoniosas e que foram criadas com o coração,
e procure ouvi-las num volume apropriado, sentindo cada nota.
- Tudo deve ser feito com equilíbrio, e os momentos de
silêncio interior também devem estar presentes,
pois são neles que descobrimos uma das formas mais simples
de sermos felizes: "Pensar menos e sentir muito mais."
Ao se despedirem e retornarem
pela trilha, em direção à casa, encontraram
o Sr. Apolônio ainda envolvido com a decoração.
Aproveitaram para comentar com ele sobre a aventura envolvendo
o "som". Ele ficou entusiasmado, pois era pianista
e valorizava muito a música clássica.
O Natal daquele ano na cidade de Filipêndula foi talvez
um dos mais bonitos.
A notícia do "renascimento" da "Mansão
Ulmária" mobilizou a cidade e todos resolveram caminhar
até lá.
Sr. Apolônio ouviu uma música e saiu para ver o
que era. Ficou emocionado com a aproximação de
dezenas de pessoas com velas acesas, e o som do coral à
frente.
A reunião na frente da casa foi muito afetuosa e mágica.
Ele convidou todos para entrar e alguns trouxeram doces e salgados
para festejarem juntos.
Muitas crianças andavam pela mansão, doando sua
pureza para esse grande momento.
Renan e Ricardo se afastaram por alguns momentos, e subiram as
escadas para ver mais uma vez o quarto da torre, e quando abriram
a porta, ouviram o "lá universal", e não
puderam acreditar em seus olhos... Dezenas e dezenas de presentes
preenchiam o quarto, e todos com um cartão endereçado
a cada visitante da mansão naquela noite, e o remetente:
"Papai Noel".
Esperamos sinceramente que cada um que participou conosco dessa
aventura, tenha um Natal mágico e sempre repleto de amor.
Um grande abraço
Renan e Ricardo
Gostaria de agradecer à
minha esposa Rita Aubim pelo amor e incentivo para escrever esse
Conto de Natal, e ao meu amigo: Renan Tenório de Lima,
pela amizade, pureza e magia que me motivaram a homenageá-lo
neste ano.


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(Última atualização em 21/12/2011).
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