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O NOME VERDADEIRO
 Dezembro
se inicia trazendo muito mais do que somente um novo mês
no calendário, mas um momento onde as energias e sentimentos
mais profundos são renovados na celebração
do Natal.
Nossa história começa
em uma cidade muito charmosa chamada "Vila dos Cedros".
Um local próximo a altas montanhas, com muitas árvores,
e um clima ameno o ano todo. Além da beleza natural a
cidade é abençoada com um povo muito hospitaleiro,
amante da natureza e que preserva acima de tudo o respeito e
o valor dos sentimentos. É nesse ambiente acolhedor que
mora William, amigo de Ricardo, que foi convidado para passar
uns dias em sua casa.
Eles se conheceram há três anos em "circunstâncias
mágicas", e desde então tem mantido uma amizade
muito especial e rara.
São poucas horas de viagem que os distanciam, mas a mudança
de cenário é impressionante. Ricardo mora em uma
cidade grande, com prédios altos e o agito característico
das pessoas que parecem não ter tempo para nada. Mesmo
assim ele procura viver de uma forma equilibrada, valorizando
uma vida simples. Desde pequeno sempre foi fascinado pelo clima
das montanhas e a magia da natureza.
Seu apartamento pequeno, não
o impediu de ter uma coleção de cactos. Pássaros
vêm tomar água fresca colocada na janela, e uma
mini cachoeira na sala proporciona um agradável som de
água caindo por entre as pedras.
Era um sábado bem cedo,
mas bem cedo mesmo, quando Ricardo saiu com seu carro rumo à
"Vila dos Cedros". Ele gostava de contemplar o sol
nascendo no horizonte enquanto dirigia, e desta vez estava maravilhoso.
Algumas nuvens apareciam na direção do leste, com
suas bordas decoradas com o alaranjado do sol que lentamente
despertava um novo dia. Depois de uma hora de viagem ele saiu
da rodovia e entrou na estreita estrada que circundava as montanhas.
Uma jornada por entre araucárias, cachoeiras e montanhas
que se apresentavam com suas nuances de texturas e tons de verde.
Uma neblina suave ainda persistia nas partes mais úmidas
dos vales e no topo das montanhas mais altas.
Era como um portal para outro
mundo, e a proximidade da chegada já estava causando uma
alegria tão forte que um sorriso se fazia presente em
seu rosto. Ricardo estava lembrando-se de como conhecera William.
Foi algo traçado pelo Universo. Mágico e Divino.
William é diferente
de todos os outros amigos, tem características únicas.
É extremamente afetuoso, sempre olha nos olhos enquanto
conversa, ninguém dá tanta atenção
aos detalhes como ele, e tem um dom natural de despertar o que
cada pessoa tem de melhor em si.
Foi nesse devaneio que chegou à "Vila dos Cedros"
e foi recebido com abraços e mimos.
Laudicéia, a mãe de "Billi", como é
chamado em casa, havia preparado pinhões para recepcioná-lo,
pois sabia o quanto ele gostava.
Foi uma acolhida aconchegante e Ricardo se sentiu muito bem naquele
pedaço de paraíso nas montanhas.
Depois de atualizarem alguns
assuntos foram levar as bagagens para o quarto preferido da casa...
- "o do sótão".
Além de aconchegante, era espaçoso, com o teto
inclinado revestido de madeira e uma sacada onde se contemplava
toda a floresta. As altas montanhas ao fundo completavam esse
cenário inefável.
Os dois adoravam ver o pôr do Sol, ou se divertir em uma
noite clara, observando as estrelas com um telescópio
que estrategicamente fora colocado nesse quarto.
Gostavam também de conversar
sobre vários assuntos, dentre eles: filmes, a natureza,
os mistérios da vida, documentários da televisão,
ou mesmo o valor da amizade deles. Às vezes ficavam simplesmente
em silêncio desfrutando a paz da noite.
Um costume um tanto raro para muitos, mas que deveríamos
pensar em resgatar. Momentos sem música, fones de ouvido,
internet, telefones ou televisão. Resgatando um equilíbrio
onde conseguimos sentir melhor a presença do Criador,
o valor da vida ou de uma amizade.
- Ricardo... - preciso te mostrar
"ALGO" muito misterioso que encontrei, enquanto caminhava
por uma trilha na floresta.
- O quê? - Onde? - Quero ver! - disse Ricardo entusiasmado.
- Ah, se der tempo nós vamos. - disse William querendo
provocar o amigo com um ar de desinteresse, enquanto se espreguiçava
e ria.
- Ah, se der tempo né? - vamos logo... - disse Ricardo
puxando o amigo que estava deitado sobre algumas almofadas espalhadas
pelo chão.
- Está bem, está bem! - Vamos lá então!
Saíram rapidamente e no caminho William começou
sua narrativa...
- Então..., no dia 6
de Dezembro, bem no final da tarde fui até a floresta
pegar algumas pinhas para a decoração de Natal,
você sabe!... Dia de São Nicolau, dia de montagem
da árvore.
- Ah, inclusive já montei a minha.
- Bem, eu estava lá, em meio ao silêncio, quando
me surpreendi com uma senhora de cabelos branquinhos que vinha
em minha direção... - Quando se aproximou, sua
presença e seus olhos azuis me emocionaram profundamente.
- Ela então estendeu a mão e me entregou delicadamente
um galho de azevinho amarrado com um lindo laço vermelho.
- É um presente para você! - Desejo que seu Natal
seja mágico.
- O presente seguido por um abraço foi inexplicável.
- A sensação de algo antigo, entende? - Parecia
que ela fazia parte da minha existência e eu nunca a tinha
visto.
Ela disse que se chamava "Túnia" e morava em
uma casa nas montanhas.
Ricardo parou de andar abruptamente
e olhou para o amigo perplexo.
- William! - Espere um pouco! - Quando você me telefonou
hoje pela manhã, eu parei o carro para atender e antes
de prosseguir viagem, uma menina apareceu de repente na minha
janela, com um galho de azevinho também amarrado com uma
fita vermelha e disse que era um presente para mim.
- Ela tinha um olhar muito
meigo e notei seus lindos olhos azuis. - Por favor, me diga que
esse é um costume local!
William olhou para ele surpreso, balançou a cabeça
negativamente e mesmo sem dizer nada, foi suficiente para que
ambos ficassem intrigados com a coincidência, se é
que tinha sido.
-... mas William! - esse "ALGO" misterioso que você
encontrou tem alguma relação com esse presente?
- Bem..., no começo parecia que não, mas no dia
seguinte, resolvi caminhar novamente perto do mesmo local e percebi
caído no chão da floresta, um galho de azevinho
semelhante ao que eu havia recebido de presente.
Logo à frente percebi outro, e quando me aproximei, percebi
um mais à frente, e outro mais... - Era como se houvessem
deixado um caminho marcado.
Resolvi seguir a trilha, e caminhei por um bom tempo...
- Nossa, mas que história! - disse Ricardo empolgado.
- e o que você encontrou?
- Já estamos quase chegando e você vai ver por si
mesmo.
Andaram por mais alguns minutos e a expectativa era grande, quando
de repente a trilha se abriu em uma clareira em meio a muitas
árvores.
- É aqui Ricardo!
Qualquer um ficaria perplexo
com o que eles estavam vendo. - Um "Cristal de Quartzo"
com uns três metros de altura, todo facetado e brilhante.
- Algumas de suas faces refletiam o céu e a floresta como
espelhos. - Sua transparência era impressionante. O objeto
ocupava uma área bem grande sobre o chão, sem ter
uma forma definida.
- Mas o que é isso...?
- Eu também não sei. - Inclusive não contei
nada para ninguém, esperando desvendarmos esse mistério
juntos.
Andaram ao redor do "Cristal",
observando que apesar de estar na floresta, ele estava absolutamente
limpo, até que Ricardo encontrou algo:
- William, você já tinha visto isso?
Havia o formato de uma mão em baixo relevo sobre uma das
faces do cristal.
William não se conteve e aproximou sua mão direita,
mas antes de tocar a pedra, olhou para o amigo... - O que você
acha?
- Bem, está parecendo que é isso que deve ser feito.
Quando ele tocou a pedra, uma luz começou a emanar daquele
ponto em todas as direções do cristal. - Uma beleza
quase impossível de descrever em palavras. Nesse instante
uma voz que parecia vir de todas as direções, perguntou:
- Qual o seu nome?
William retirou a mão rapidamente e o Cristal se apagou.
- O que aconteceu? - Sentiu alguma coisa?
- Não, só assustei, mas vou tentar novamente.
Ele tocou a estrutura e a voz fez a mesma pergunta:
- Qual o seu nome?
- Meu nome é William!
O Cristal se apagou totalmente e um silêncio pairou na
floresta por alguns instantes.
- Que estranho! - Deixe-me tentar!
Tudo aconteceu exatamente igual: "Meu nome é Ricardo!",
também não surtiu nenhum efeito.
Os dois se sentaram, um pouco frustrados: O que será que
estava faltando?
Enquanto seus pensamentos buscavam alguma explicação,
e se perdiam em seus devaneios, Túnia apareceu sem que
eles percebessem a sua aproximação.
- Túnia! - que bom encontrá-la aqui.
Quando Ricardo viu os olhos azuis de Túnia, compreendeu
exatamente o que o amigo havia descrito - Havia um carisma especial
nela. Um rosto tranquilo e gentil.
- Túnia! - Foi você que deixou os galhos de azevinho
pela floresta, não foi?
Ela concordou sorrindo.
- Esse "Monólito de Cristal", é assim
que o chamamos, nem sempre está aqui.
- Não? - como assim? - perguntou William.
- Eu também não sei explicar. - De vez em quando
ele aparece e eu sei que alguém virá. De alguma
forma a pessoa "escolhida" sente uma atração
por esse local da floresta na época do Natal, e eu preparo
os galhos de azevinho para ajudar na sua localização.
Os dois nem sabiam o que dizer. - Tudo aquilo parecia um sonho.
- Mas, o que precisamos fazer agora?
- Bem! - Isso eu não sei. - Minha mãe me ensinou
a respeitar a privacidade e o segredo desse local. Por isso eu
não sei o que acontece e nem o motivo de tudo isso. -
Sinto muito!
Os dois compreenderam, mas se sentiram meio perdidos novamente.
- Agora tenho que ir! - Mas, lembre-se que nem sempre temos todas
as respostas que queremos, no momento que queremos. - É
importante ter paciência e confiar!
Os dois agradeceram a atenção e o conselho de Túnia,
e se despediram dela. Ricardo percebeu o que William descrevera
quanto ao seu abraço. Uma sensação única
e muito profunda de felicidade plena!
Ela se afastou e seguiu por
uma das trilhas da floresta, enquanto os dois a observavam com
ternura.
- E agora? - perguntou Ricardo.
- Bem, eu acho que devemos voltar para casa. - Precisamos pensar
mais.
Após o jantar ambos
estavam silenciosos e Laudicéia estranhou:
- Está tudo bem com vocês? -
- Ah, estamos bem mãe - Só estamos um pouco cansados,
não é Ricardo?
- Hum, hum! - A caminhada foi longa, mas sei que uma boa noite
de sono é tudo o que precisamos.
- Ah, então está bem! - Já deixei suas camas
arrumadas.
Os dois se levantaram e foram para o quarto no sótão.
- Sentaram um pouco sobre as almofadas. Cada um com seus questionamentos
internos.
- Não sei o que podemos fazer para descobrir mais sobre
esse "Monólito de Cristal". - comentou Ricardo.
- Com certeza não vamos encontrar nada sobre isso em livros
ou na internet.
William sorriu e gostou da
brincadeira do amigo!
- Tem razão! - a não ser que... - ele parou, deixando
Ricardo curioso.
- Você teve alguma idéia?
- Bem..., e se Papai Noel nos ajudasse... - e ambos disseram
juntos:
- Veynar!*
- É isso mesmo! - Só tem um pequeno problema -
Não sabemos como encontrá-lo.
- Você se lembra em 2007 quando ganhamos isso? - disse
Ricardo segurando o símbolo que trazia pendurado no pescoço.
- e depois em 2009 quando ele nos chamou para o "Encontro".
- Nossa! - Lembranças incríveis. - mas tem razão,
sempre foi ele que nos encontrou.
Ambos ficaram em silêncio pensando em como poderiam "chamá-lo",
quando de repente um vento frio entrou pela janela e um som na
sacada despertou a atenção. - A cortina esvoaçou
quase até o teto, e eles resolveram ver o que era.
Não havia nada lá fora, talvez fosse apenas um
esquilo. O vento estava muito frio, e existia até a esperança
de nevar naquela noite.
Quando entraram se surpreenderam com uma caixa de presente bem
no centro do quarto. - Era de madeira, com detalhes natalinos
nas laterais e sobre a tampa uma linda Árvore de Natal
enfeitada com filetes dourados e um pequeno galho de azevinho.
- Essa caixa não estava
aqui antes! - disse Ricardo intrigado. - É alguma surpresa
para mim?
- Pelo menos não que eu saiba. - riu William.
Perceberam que havia um pequeno cartão amarrado no presente,
daqueles do tipo "De / Para", preenchido somente a
parte do "Para": "William e Ricardo".
- Eu acho que é uma surpresa para "nós"
- disse William.
Quando abriram a caixa...
- Nossa, Ricardo! - O que será
isso!
Era um objeto redondo de madeira, com o centro circular giratório,
e um símbolo em relevo.
- Você conhece esse símbolo, William?
- Não!
- Dentro da caixa eles encontraram também um pequeno papel
dobrado onde estava escrito:

"Uma triquetra
para orientar,
Em uma noite com luar,
Se busca o nome vai descobrir,
Um caminho a seguir".
- "Triquetra" - o
que será isso? - perguntou Ricardo. - Parece um "trava-línguas".
- Tem razão! - Eu espero que seja o nome "disso".
- comentou William, enquanto observava atentamente o estranho
objeto de madeira.
- A mensagem fala que vai servir para orientar. - Será
que é algum tipo de bússola?
- Humm, pode ser... - Ele fala também sobre "noite
com luar". - Vamos lá fora ver o que acontece?
Da sacada podia se ver um céu
incrivelmente lindo com uma lua cheia, bem na direção
deles. Quando o objeto foi exposto a essa luminosidade, surgiu
uma luz fluorescente e brilhante em uma das pontas. - Eles moveram
o objeto e a ponta luminosa se mantinha sempre na direção
da floresta.
- Uma "bússola lunar" - disse Ricardo inspirado.
- Gostei dessa, marujo!
- William! - e agora o que faremos?
- Bem, eu não vou conseguir dormir depois de tudo isso...
- Que tal uma caminhada noturna? - riu ele.
- Vamos nessa!
Laudicéia já tinha ido se deitar, e como não
sabiam se poderiam demorar, deixaram um bilhete para que ela
não se preocupasse.
Saíram com suas lanternas
e a "bússola lunar".
- Nossa, que emocionante, uma caminhada na floresta à
noite. - disse Ricardo entusiasmado.
- Tem razão! - e o mais
interessante é que não sabemos nem para onde vamos
e nem o que vamos encontrar.
A noite estava muito fria, e apesar das lanternas, a trilha já
estava iluminada parcialmente pela luz da lua que tornava a caminhada
tranquila e despertava ainda mais o seu lado mágico.
Andaram por quase uma hora seguindo a orientação
da 'bússola lunar", e então pararam em um
ponto onde a trilha estava fechada por dois arbustos bem densos
e altos entrelaçados de uma forma quase intransponível.
Parecia um tipo de portão, e estava ornamentado com galhos
de azevinho e laços vermelhos, fazendo parecer que estavam
no caminho certo. - Alguns filetes dourados demarcavam de forma
impressionante e detalhada os veios de todas as folhas.
Havia uma iluminação mágica que emanava
do "portão", e se intensificava à medida
que se aproximavam. Quando o tocaram, um vento vindo de lugar
nenhum passou pela floresta e os arbustos se abriram como duas
grandes e pesadas portas de madeira e folhagem.
Surgiu então, um grande corredor de vegetação
rasteira, ladeado por árvores centenárias simetricamente
distribuídas.
Seus troncos estavam totalmente
decorados com minúsculas luzes brancas que formavam estrelas
de diferentes tamanhos.
De seus galhos pendiam delicados filigranas prateados no formato
de flocos de neve.
Uma iluminação
de origem desconhecida imitava o sol já se pondo, e passava
caprichosamente pelas árvores como se vindo de grandes
e elaborados vitrais vitorianos. A densa copa em formato de arcos
se unia em um grande teto formando uma imponente e majestosa
"Catedral de Árvores".
Era inegável que se tratava de um lugar mágico.
Caminharam lentamente enquanto seus sentidos se perdiam em meio
à tamanha beleza e riqueza de detalhes. Nunca tinham visto
uma decoração de Natal tão "viva".
Parecia não faltar mais nada para completar aquele momento,
quando eles veem Veynar, caminhando em sua direção.
Emocionados o abraçam, expressando a felicidade de encontrarem
talvez um dos maiores sonhos de cada um de nós: "Encontrar
o Papai Noel de verdade".
- Ah, meus amigos! - Que bom
encontrá-los aqui.
- Onde estamos? - perguntou Ricardo.
Veynar inspirou profundamente e olhando para cima disse:
- Esse é um dos lugares
mais lindos e mágicos que existem. - Nessa época
do Natal, algumas pessoas escolhidas pelo que pensam, sentem
e por seus atos de bondade, são trazidas até aqui
para receberem o "Nomem Verus", ou nome verdadeiro.
- O maior dos presentes.
Nesse momento, um brilho intenso emanou das mãos de Veynar,
e essa energia se materializou em duas pequenas caixas de madeira.
- Ele estendeu suas mãos na direção dos
escolhidos, que emocionados se ajoelharam em profunda veneração
antes de receberem seus presentes.
As caixas eram magníficas, sobre a tampa havia um símbolo
em alto relevo onde três figuras ovaladas se entrelaçavam
com um círculo de forma harmoniosa.
- O símbolo é o mesmo da nossa "bússola
lunar" - disse Ricardo deslizando seus dedos sobre o relevo,
como que desenhando sua forma enigmática.
- É uma "Triquetra", um símbolo muito
antigo que representa o poder das três forças criadoras
presentes em diversas das religiões e culturas. - O círculo
entrelaçado representa a eternidade e o infinito.
Quando a tampa foi aberta um aroma de cedro exalou de seu interior
como um banho de purificação perfumando todo o
ar a sua volta.
No seu interior uma luz iluminava
um objeto com a forma de um prisma quadrangular que flutuava
dentro dela. - Uma das extremidades, de forma muito sutil, revelava
uma abertura. Ao separar as partes, em seu interior havia uma
cavidade cilíndrica que ocultava um minúsculo pergaminho.
Ao desenrolá-lo viram, com os olhos cheios de lágrimas,
seus nomes verdadeiros escritos.
Veynar continuou:
- Independente da crença ou religião, o Criador
concede a cada ser humano mais de uma vida nesse planeta. - Cada
uma delas são oportunidades para a alma aprender com as
atitudes e os sentimentos que temos diante das situações.
- Nessa jornada, a cada vida, dependendo da vontade de nossos
pais, que também já foram tantos, temos um nome
diferente, mas a alma tem um único nome concedido pelo
Criador na "Aurora dos Tempos", e é esse nome
que vocês agora passam a ter a honra de conhecer.
- Eu creio que agora vocês
sabem que "nome" o "Monólito de Cristal"
esperava. - sorriu Veynar. - Venham comigo!
Ao saírem da "Catedral de Árvores", uma
surpresa os aguardava, o monólito estava ali mesmo, esperando
por eles. - A felicidade em seus rostos dispensava palavras.
Ao se aproximarem - a pedido
de Veynar - William foi o primeiro a colocar a mão sobre
o cristal.
A voz vinda do interior do monólito ecoou magicamente
no ar: "Qual o seu nome?"
- Angelym - disse William com o coração batendo
forte.
Uma luz percorreu o interior do cristal concentrando-se ao lado
da mão de William, formando outro desenho igualmente em
baixo relevo com o formato de uma mão aberta.
- Sua vez Ricardo! - disse Veynar.
Quando ele tocou o cristal, a mesma pergunta se fez ouvir. -
Seguiu-se um breve silêncio enquanto Ricardo suspirava
profundamente, antes de responder.
- Meu nome é Alennar.
O que aconteceu a seguir foi maravilhoso. A luz vinda do interior
do cristal fez suas mãos brilharem como diamantes lapidados
e como mágica o monólito se abriu.
Veynar se aproximou e os acompanhou para entrarem no que parecia
ser uma caverna de cristal. Não era um local fechado,
mas amplo e eles sentiram uma liberdade muito grande. - Era como
se o mundo exterior não existisse mais.
O brilho iridescente que emanava dali era indescritível.
Diversos cristais distribuídos por toda a caverna, com
matizes de azul, lilás e outros tons que pareciam oscilar
com a nossa presença.
Todos estavam em silêncio,
apenas ouvindo o som de gotas de água, que de tempos em
tempos caiam, e ecoavam em diversas direções. -
Até Veynar parecia se deliciar com essa "música".
- Um momento que valeu uma vida.
Não houve comentários. - Mas também, o que
podiam dizer?
Depois de um tempo, que naquele
local parecia nem existir, Veynar disse:
- Além do que vocês veem, existem outras realidades
como essa. - É importante que nessa época que vivemos,
cada um amplie sua forma de ver o mundo e no que acredita existir.
- O Criador ou Deus, como preferirem, concebeu tudo o que conhecemos,
mas com certeza muito mais que ainda não conhecemos.
- Ele é onipotente, e o que me fascina é que mesmo
com essa diversidade infinita, de outros mundos, outros seres
e dimensões:
"Cada um é um, e todos somos um."
Houve um breve silêncio...
- Eu sei que vocês vão gostar de saber que o "nome
verdadeiro" concede um dom muito interessante: Poder viajar
conscientemente no período dos sonhos. - Vai ser como
sonhar acordado. - Vocês só precisam, antes de dormir,
dizer o seu "nome verdadeiro".
- Então não vejo
a hora de dormir. - disse William. - Ricardo concordou.
- E falando em dormir está
na hora de irmos embora - disse Veynar tocando o cristal que
novamente se abriu.
Quando eles saíram, o monólito foi se desvanecendo
até desaparecer totalmente.
Antes de partir, Veynar os aproximou com seus braços,
em um abraço único:
- Angelym e Alennar! - A forma
que vocês conduzem sua amizade, valorizando os sentimentos
da alma e o carinho das atitudes, ultrapassou essa realidade
e tem colaborado no equilíbrio e na esperança do
Criador de um dia ver o "Planeta Terra" como o "Céu".
Desejo a todos um Feliz Natal!

Gostaria de agradecer à
minha esposa Rita Aubim pelo amor e incentivo para escrever esse
Conto de Natal, e ao meu amigo: William Tosta Tonhato,
pela amizade, pureza e magia que me motivaram a homenageá-lo
neste ano.
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