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A *EGRÉGORA
DO NATAL
 A
primeira visão que temos é de um grande travesseiro
dormindo em uma cama bem confortável, mas na realidade
sob ele, está o nosso amigo Diego, que adorava dormir
dessa forma.
Ele ressonava profundamente e quando acordou no meio da noite,
olhou para o relógio do seu quarto e eram exatamente 2:22h.
Ele percebeu a coincidência dos números iguaizinhos,
aproveitou para tomar um copo d'água gelada, e ir ao banheiro,
como fazia todos os dias.
Na noite seguinte a situação
se repetiu, mas a hora mudou um pouco. Agora eram 3:33h. Diego
estava se divertindo. Algumas vezes ele acordava e demorava para
abrir os olhos, na esperança de brincar com o que estava
acontecendo, mas mesmo assim o horário que ele via, sempre
mantinha o mesmo padrão dos números iguais.
Pensou em comentar sobre o assunto com alguém, mas preferiu
manter segredo, para não perder o clima de aventura, e
além disso, também não sabia se alguém
lhe daria a atenção que ele esperava. Muitas vezes
ele já era um pouco discriminado e ouvia frases como:
"Você precisa ser mais responsável e deixar
de ser criança" ou "Você não tem
mais idade para isso...".
Diego, sempre foi um rapaz muito carinhoso, pensava e vivia de
forma diferente da maioria.
Tinha um dom musical muito grande para compor e tocar, e sabia
muito bem como expressar seus sentimentos através das
palavras e principalmente pelas atitudes, tanto com sua família,
quanto com seus amigos. Seus pais: Paulo e Jô, se orgulhavam
muito dele, e com toda a razão.
No sábado, manhã
do dia 3 de dezembro, Diego acordou, tomou um farto café
da manhã, com tudo o que havia disponível, e foi
participar de um curso de fotografia, que era ministrado em dois
dias.
O primeiro dia de aulas teóricas era sobre os princípios
básicos da fotografia, e no domingo o ponto alto era uma
excursão de um dia para a lendária "Floresta
dos Cedros", com o objetivo de treinar a parte prática
em fotos alusivas ao Natal.
O instrutor começou as explicações e enquanto
mostrava algumas fotografias que fascinavam o pequeno grupo de
12 pessoas, Diego olhou para o seu lado, e viu alguém
rabiscando na apostila do curso: 1:11, 2:22, 3:33....
Por um momento ele ficou mudo, seu coração parecia
bater mais rápido, o som do ambiente sumiu em meio aos
seus pensamentos. De repente ele se assustou, como que acordado
de um sono profundo, quando ouviu a voz do instrutor dizendo:
- ...agora, quero que vocês se dividam em duplas, para
as atividades de amanhã.
Diego se levantou bruscamente, e...
- Posso ficar com você? - disse ele em voz alta se dirigindo
para o rapaz, que estava ao seu lado. - O instrutor conteve um
sorriso, mas foi obrigado a comentar:
- Parece que você está bem entusiasmado mesmo, hein!.
Todos riram muito, e o rapaz ficou meio envergonhado com a situação,
mas concordou logo e depois se divertiu com a iniciativa de Diego.
Ambos se apresentaram rapidamente para não interromper
mais a aula, e a dupla Diego e Ricardo, estava formada.
Apesar da ansiedade, Diego preferiu não comentar nada
ainda sobre os números. No domingo pela manhã,
todos entraram no ônibus que os levaria para a aula prática.
O dia amanheceu com um céu azul e uma leve bruma fria
sobre as regiões mais úmidas. Na viagem que durou
mais ou menos 1 hora, eles foram conversando e percebendo que
tinham muitas afinidades na forma de pensar, sentir, hobbies
e tal.
Chegaram na Floresta dos Cedros.
Era uma grande reserva verde nos arredores da cidade e se estendia
dos vales do sul até as montanhas a oeste. Ano após
ano a floresta vinha sendo devastada para ocupação,
até que um grande incêndio em 1919 quase a extinguiu.
Foi nesse ano que o parque de proteção foi criado,
e o nome "Floresta dos Cedros" foi adotado porque essas
foram as árvores que melhor resistiram ao fogo.
A beleza e a exuberância já presentes na entrada
da floresta deixavam claro que aquele era um lugar especial.
Árvores grandes e imponentes pareciam ter centenas de
anos, embora a maioria tenha crescido depois do grande incêndio.
Três rios cruzavam a mata e uma cachoeira de 77 metros
era o ponto alto dos passeios ecológicos, embora a temperatura,
variando do ameno ao bastante frio, não fosse favorável
ao banho.
Uma grande alameda se perdia
no interior da mata e levava até a única casa construída
na época da ocupação desenfreada - que resistiu
ao fogo e hoje era usada como a sede do parque. Dali pra frente,
somente visitantes autorizados poderiam passar e essa era uma
regra seguida à risca. As lendas da floresta diziam que,
aquele que entrasse nos seus limites sem um propósito
justo ou sem a
autorização da própria floresta, dificilmente
sairia.
Cada dupla recebeu a tarefa de tirar algumas fotografias específicas.
Uma delas deveria ser a de um pinheiro ou cipreste que pudesse
ser utilizado como um cartão de Natal. Os dois concluíram
rapidamente e deixaram as fotografias com o instrutor.
Ficaram sentados conversando
perto de um velho olmo, um pouco distantes do grupo que se concentrava
perto da sede do parque, e Diego aproveitou a privacidade do
momento...
- Ricardo, eu preciso confessar que na realidade eu tive um motivo
para escolher ficar com você nesse curso.
Ricardo olhou curioso.
- Porque você estava escrevendo os números 1:11,
2:22, 3:33, na apostila do curso? Eram horários, não
eram? - Antes mesmo que ele pudesse responder, Diego desabou
a contar o que estava acontecendo com ele nos últimos
tempos. A cada momento, Ricardo ficava mais impressionado com
tudo..., e quando Diego deu uma pausa:
- Isso é incrível..., comigo está acontecendo
exatamente o mesmo. - Você já descobriu o que significa
tudo isso?
- Ainda não, mas é bom saber que não estou
sozinho nessa. - Eu já não agüentava mais
guardar esse segredo só para mim - disse Diego aliviado.
Voltaram para encontrar o grupo,
e o instrutor começou a distribuir as fotografias para
cada uma das duplas.
- Diego e Ricardo, a foto do cedro está ótima,
mas quem é essa senhora parada na frente dele?
Os dois ficaram surpresos com as palavras do instrutor e quando
pegaram a foto do cipreste, viram que havia uma senhora, de cabelos
negros, com uma noz em uma das mãos.
Regressaram para o ônibus,
pensativos com o que tinha acontecido. Na viagem de volta, a
esposa do instrutor passou oferecendo um docinho para cada um
dos participantes. Ela era uma pessoa muito meiga, e querendo
trazer antecipadamente um pouco do clima de Natal, já
estava usando um gorro vermelho e branco. Parou próximo
a eles e disse:
- Gostariam de um doce? - É
minha especialidade, eu os chamo de "Nozes fingidas".
- Era uma massa feita com nozes moídas, e moldada no formato
de uma noz. Pareciam deliciosos.
Eu mesmo fiquei com vontade de experimentar um...
- Nozes de novo? - disseram os
dois em uma só voz.
Ela olhou surpresa, sem entender nada. Os dois se desculparam,
pegaram o docinho que vinha sobre um papel circular com desenhos
de pequenas Árvores de Natal.
Diego olhou para Ricardo e perguntou:
- Porque você disse isso? - Não me diga que você
também...
Ricardo o interrompeu.
- Sim, no dia que começaram esses acontecimentos com os
horários da madrugada, as nozes começaram a aparecer
em tudo. Tenho comido pães e doces com recheio de nozes,
ouço falar nelas nas situações mais inesperadas.
- O mais estranho foi que eu sempre costumava comer um brigadeiro
na Doceria do Vitório, todos os sábados pela manhã,
e no primeiro dia que começou o caso dos horários
repetidos, o dono da doceria me sugeriu um doce de nozes.
Diego ouvia atentamente e de uma forma semelhante o caso das
nozes também estava acontecendo com ele.
- ... e agora ainda temos uma foto misteriosa com uma noz - disse
Diego completando.
Quando retornaram do curso, passaram
a manter contato diário, ou através de telefonemas,
mensagens pelo celular, ou se encontrando para conversar um pouco.
Eram grandes amigos!
....Mas e os acontecimentos dos horários?
Bem...., continuavam..., mas agora de forma diferente, pois ambos
acordavam no mesmo horário da noite, sempre às
3:33h. Parecia que algo se preparava para acontecer, mas nenhum
dos dois sabia o que era. Continuavam mantendo esse segredo distante
de todos, mas felizmente tinham um ao outro para conversar.
No dia 06 de Dezembro pela manhã,
dia da Chegada do Papai Noel, quem chegou bruscamente de moto
na casa do Ricardo, foi o Diego.
Ele entrou correndo, pegou o amigo pelo braço, e sem explicar
muito...
- Diego, o que está acontecendo?
- Venha comigo! - descobri algo incrível - disse ele muito
entusiasmado.
Ricardo gostava de uma aventura, subiu na moto sem fazer mais
perguntas, colocaram os capacetes e foram para onde a vontade
de Diego os levasse.
Depois de andarem por alguns minutos, chegaram a rua muito arborizada.
- Chegamos! - disse Diego.
Ricardo olhou e não conseguiu perceber nada de extraordinário.
Como Diego gostava de fazer piadinhas, parou exatamente sob a
placa com o nome da rua e com os braços esticados para
cima e uma careta; esperou o amigo perceber a descoberta:
"Rua das Nogueiras"
- Será que aquela senhora da foto mora nessa rua? - disse
Ricardo com um brilho nos olhos.
- Esse é só o começo, espere para ver o
que eu descobri. - disse Diego mantendo o mistério.
Deixaram a moto estacionada e
começaram a caminhar pela rua que não era muito
longa.
O bairro era um dos mais nobres da cidade com casas incrivelmente
grandes. Mais alguns metros à frente, enquanto caminhavam
pela calçada, se aproximaram de uma casa com inúmeros
ciprestes plantados bem próximos, formando um muro verde
com um aroma que chamou a atenção de Ricardo.
Diego parou e apontou para o portão da casa, onde havia
uma senhora parada.
- É ela! - disse Ricardo
surpreso.
Era como ver a foto viva, que tinham tirado no curso. A senhora
os olhou detidamente, e enquanto eles se aproximavam sem saber
o que dizer, ela abriu sua mão direita e eles viram o
elemento que faltava: "uma noz".
Eles se aproximaram apreensivos:
- Bom dia! - Meu nome é Ricardo e esse é meu amigo
Diego. - Não sabemos bem como aconteceu, mas... a senhora
apareceu em uma de nossas fotografias, e estamos aqui para saber
o porquê. - disse ele enquanto a mostrava.
Ela sorriu e pareceu não ficar nem um pouco surpresa com
a fotografia, quando disse num tom suave:
- Meu nome é Ornella. - Ambos estão de parabéns
por chegarem até aqui. - Eu sei que vocês devem
ter muitas perguntas, mas na verdade foram suas características
pessoais, que criaram esse mundo de mistério e magia,
e fez com que vocês se encontrassem através dos
horários e me encontrassem através das nozes.
Eles não entenderam muito bem o que era tudo aquilo, mas
um deles resolveu arriscar uma pergunta:
- Mas porquê tudo isso? - não seria mais fácil
nos convidar pessoalmente? - disse Diego, enquanto Ricardo desviava
o olhar, envergonhado com a pergunta.
Ornella sorriu:
- Eu prometo que em breve ficará mais claro o motivo pelo
qual vocês, ou um de vocês está aqui.
- Como assim, "um de vocês" ? - disse Diego.
- Apesar de ambos terem o seu mérito, Infelizmente a tradição
só me permite deixar um de vocês entrarem na casa,
para conhecer a verdade.
Ambos estavam juntos nessa aventura
desde o início e essa condição parecia muito
injusta. Ricardo foi logo dizendo:
- Diego pode entrar! - Você descobriu a rua e merece mais.
- Ficarei aqui esperando e sei que depois você vai me contar
tudo.
Diego ficou tentado a aceitar a proposta do amigo, mas não
conseguiria, pois o conhecia o suficiente para saber que ele
estava fazendo isso pela amizade.
- De forma nenhuma, vai você e eu fico aqui esperando.
- disse ele.
Depois de muitos "vai você" e nenhum "vou
eu"... Ambos chegaram a uma conclusão, que parecia
ser a mais sábia.
- Senhora Ornella, se os dois não podem entrar, nenhum
de nós vai entrar. - disse Ricardo.
Ela olhou desapontada para eles, e deu as costas, caminhando
na direção da casa. Após alguns passos,
ela se voltou lentamente, e com um sorriso amável...
- Realmente vocês são os escolhidos. - Venham comigo!
- disse ela acenando com a mão num gesto de boas-vindas.
Os dois estavam entusiasmados.
Caminharam até a entrada da casa e perceberam que na porta
principal, havia um desenho entalhado. A porta se abriu, e quando
eles deram o primeiro passo para o interior da casa, tudo se
alterou de uma forma mágica. O ambiente e a decoração
lembravam um chalé nas montanhas. Piso e paredes revestidas
de madeira, uma lareira acesa e através das janelas podia-se
ver que estava nevando lá fora. Ornella agora estava vestida
de uma forma mais simples, e em seu pescoço pendia um
colar com o mesmo símbolo encontrado na porta de entrada.
No canto da sala, havia uma Árvore de Natal, incrivelmente
bem decorada, com um detalhe que chamava a atenção.
Algumas fotos de pessoas em meio aos enfeites de Natal, o que
personalizou a decoração de uma forma que eles
nunca haviam visto.
O ambiente acolhedor e aconchegante,
os tranqüilizou e os fez sentirem-se em casa.
- Agora vou lhes contar a verdade.
- disse ela enquanto se sentava confortavelmente em um sofá.
Diego e Ricardo também se sentaram, e esperavam ansiosos
pela revelação desse mistério.
- Vocês na realidade não foram escolhidos por mim,
mas por vocês mesmos. Eu só sabia que alguém
me procuraria, como acontece sempre nessa época de Natal.
- O que me surpreendeu é que nesses anos todos em que
eu sou a Guardiã, é a primeira vez que temos dois
escolhidos.
Ornella continuou....
- Todas as pessoas tem liberdade para criar seus caminhos, com
as atitudes e decisões que tomam na vida, mas algumas
delas descobrem o que realmente tem valor, e conseguem equilibrar
suas necessidades materiais com suas necessidades espirituais.
Com isso sua forma de ser começa a mudar e elas se tornam
um pouco diferentes dos demais.
- Como assim diferentes? - perguntou Diego, se vendo nas palavras
de Ornella.
- Bem..., Diego, fica difícil dizer, pois são inúmeros
detalhes e atitudes que vocês tomaram durante anos, muito
além do que vocês imaginam existir, e que foram
aos poucos criando esse caminho mágico que os trouxe até
aqui.
As palavras de Ornella pareciam um pouco vagas, mas o interessante
é que ambos tinham em seus corações, a sensação
de ter conseguido finalmente atingir um objetivo que desconheciam,
mas que intimamente sabiam que deveria existir.
Ela se levantou calmamente, e
foi até uma estante que havia do lado direito do sofá.
Pegou uma caixa feita de madeira escura, com um símbolo
na tampa, e trouxe até eles.
- Essa caixa contém o "Talismã da Egrégora
do Natal", uma energia que é entregue somente aos
escolhidos. - Agora vocês também terão essa
honra como milhares de outros que já existem pelo mundo.
Ela entregou primeiramente a caixa para o Diego e disse:
- Pode abrir a caixa.
Ele estava tão tenso, que desta vez nem conseguiu fazer
perguntas.
Inspirou profundamente e abriu a tampa...
- Não há nada aqui. - disse Diego um pouco desapontado.
- Coloque sua mão dentro da caixa e pegue o talismã.
- Mas não há nada
aqui, Ornella. - A caixa está vazia! - disse ele impaciente.
- Confie em mim, Diego!
Ele colocou sua mão na caixa, com um pouco de temor, e
sentiu que havia algo dentro dela. Mesmo sem poder ver nada,
pegou o objeto em sua mão.
Pelo tato ele podia perceber
que tinha uma forma irregular, com um relevo parecendo formar
algum símbolo ou inscrição. Havia um tipo
de cordão preso a ele, como se fosse um pendente.
Enquanto Diego estava perdido em meio à sensação
de ter um objeto invisível em suas mãos, Ornella
pegou a caixa e se aproximou de Ricardo:
- Agora é sua vez! - disse ela enquanto lhe passava a
caixa para que ele também tivesse a mesma honra.
Ricardo pegou o talismã
e enquanto isso, Ornella disse:
- Vocês não vieram para me substituir, mas sim para
me ajudar a receber a cada ano os novos escolhidos, e a cada
talismã entregue, vamos aumentando a "Egrégora
do Natal", fazendo o amor fraterno brilhar não somente
nas festas natalinas, mas em cada momento da vida, e com isso,
conseguirmos finalmente anular o efeito da Caixa de Pandora que
espalhou os problemas e males pelo mundo, há incontáveis
anos atrás.
Ela se aproximou de cada um, pegou o talismã de suas mãos,
que ainda permanecia invisível, e colocou-o ao redor do
pescoço deles.
- Mas porque não podemos vê-lo? - perguntou Diego,
que pelo visto tinha voltado ao normal quanto à sua curiosidade.
- Como guardiã, eu apenas entrego o talismã, mas
o seu aparecimento vai depender do mérito de seus corações
e da presença de um visitante, que deve procurá-los
na Noite de Natal. Eu sei que vocês devem estar sentindo
o peso dessa responsabilidade, mas vocês só precisam
ser o que tem sido nesses anos todos, pois foi esse mérito
que os fez escolhidos.
Depois disso, ainda conversaram muito e fizeram muitas perguntas.
Como estava ficando tarde, Ornella os lembrou quanto ao horário,
pois com toda aquela emoção, os dois não
se lembravam de mais nada que estivesse além daquela sala
e nem além daquele momento.
Finalmente chegou o sábado,
24 de Dezembro. As famílias de Diego e Ricardo resolveram
comemorar o Natal juntas, e para surpreender a
todos, Rogério, pai de Ricardo, contratou um Papai Noel
"de mentira", para fazer a entrega dos presentes.
Toc, toc, toc...
Todos fizeram silêncio e incentivaram as crianças
para irem atender à porta..., quando elas abriram, era
realmente o Papai Noel. Os olhinhos reluziam de alegria, e a
magia do Natal contagiou a todos, inclusive os adultos que estavam
impressionados, pois o Papai Noel era muito perfeito dentro da
imaginação que cada um tem em seu coração.
Ele fez a entrega dos presentes,
mas algumas vezes Diego e Ricardo percebiam que ele os olhava
de forma diferente.
Num momento da noite, Papai Noel pediu um momento de silêncio
e disse:
- Para mim é uma honra estar aqui e poder partilhar do
Natal com uma família tão unida e fraterna como
essa. - Esse ano a minha presença nessa casa tem um motivo
maior.
Papai Noel caminhou na direção
dos amigos que o olhavam com grande ansiedade. Ele se aproximou
de Diego, o abraçou e disse bem baixinho:
- Ornella e eu estamos muito
orgulhosos de você!
Ele se aproximou de Ricardo,
o abraçou e disse a mesma frase.
Os dois estavam emocionados,
e nem conseguiram dizer nada ao Papai Noel, que continuou abraçando
cada um dos familiares.
Os talismãs se tornaram visíveis e quando os dois
perceberam, olhando um para o outro, disserem bem baixinho:
- É ele o visitante que estávamos esperando.
Eles perceberam que enquanto o Papai Noel cumprimentava os outros,
pendia em seu pescoço, sobre sua pesada roupa vermelha
um talismã muito semelhante ao que eles tinham recebido.
Era um momento muito emocionante,
quando, tudo parou.... e de repente...
...eu me vejo na sala deles,
frente ao Papai Noel. Eu mesmo! - quem está escrevendo
o conto.
- Feliz Natal, meu amigo escritor.
- Meu nome é Veynar e eu sou o Papai Noel "de verdade",
como vocês dizem. - Após 7 anos escrevendo os Contos
de Natal, senti que você merecia partilhar desse momento
pessoalmente, para trazer nesse ano de 2005, o oitavo conto,
de inúmeros mais que com certeza existirão, e trazer
sempre a todos que o lerem, a pureza e o amor fraterno que você
pretende transmitir em suas palavras.
Não conseguia dizer nada,
e num abraço sem palavras, mas com muita emoção,
realizei o meu sonho em conhecer o Papai Noel pessoalmente e
comprovar que ele realmente existe.
Após o abraço, abri meus olhos e eu estava de volta
à minha casa. Escrevi rapidamente esses últimos
acontecimentos, e foi um dos momentos mais emocionantes e ternos
de minha vida.
Reuni as folhas com o Conto de
Natal e fui encontrar minha amada esposa Rita e nossos familiares
que tanto amamos, para comemorarmos um Feliz Natal.
Espero ter conseguido partilhar
um pouco dessa emoção com você que está
lendo essas palavras, e que seu coração ajude a
tornar a "Egrégora do Natal" cada dia mais forte.
Gostaria de agradecer à minha esposa Rita Aubim pela
inspiração, incentivo e amor para escrever esse
Conto de Natal, e ao meu amigo Diego Aubim, que com sua forma
carinhosa de ser conquistou minha amizade e me ajudou a descobrir
o que vou revelar nesse conto.
Agradecimento aos amigos: Ornella Aghemio e seu esposo Vitório,
que tem um lugar especial no meu coração.
*Egrégora: Esta palavra talvez tenha se originado
do grego egrégoroi e designa a força
gerada pela somatória de energias físicas, emocionais
e mentais de duas ou mais pessoas, quando tem uma finalidade
comum.


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(Última atualização em 23/12/2005).
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Ilustrações em aquarela: Sérgio Ramos |