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PARA
LU - MINHA INSPIRAÇÃO (01/2000)
Soprava o vento nas petalas das
rosas
Espalhando o perfume da primavera no ar
Perfume dos campos floridos e verdes
Aromas que inspiram os passaros a cantar
Eis que surgiu a mais bela das belas
Halito de virgem, dourado, sem par
Magnificamente sorrindo, de repente
Teu perfume encantado fez tudo parar
A noite as estrelas decorando o ceu
A lua tao clara beijando o mar
Teus labios macios mais doces que o mel
O teu corpo divino fez tudo parar
Ternura é essa que invade e conquista?
Razao de viver que encontro em teus braços
Sentindo o aroma dos raros alquimistas
Medindo sem fim a beleza dos teus traços
Luciana és linda ! Uma musa inspiradora
Tornando minhas trevas em doce luar
Encantando meus sonhos acordados no dia
A noite nao vivo ! Só quero te amar
De amar tanto assim ja nao escuto os passaros
Perfumes nao sinto só sinto teu halito
As formas que vejo só lembram teu corpo
Suave, macio, que encontro em meu quarto.
Seria loucura se fosse verdade
Tamanha beleza meus dias contigo...?
Te amar de manhã e a cada segundo
Em teus seios de deusa encontrar abrigo ?
Sou pobre mortal...um homem simples do campo
Sonhando com um mundo de amor e simplicidade
Acordar ao teu lado e te ter de verdade
Sem sonho...sem medo...e na eternidade !
SONETO (01/2000)
Por mais que eu lute nao posso
evitar
Que ternas lembranças eu guardo comigo
Nas horas tão curtas que passo contigo
Quem dera o tempo eu pudesse parar
Que momento sublime...me sobra alegria
Eu e minha amada num instante sem fim
Beijar tua boca e ter junto a mim
Me inspira a alma... uma bela poesia!
Nem mesmo um poeta ilustre ou antigo
Saberia ao certo como te declamar
Ficaria sem palavra, sem verso, artigo
Quem dera as frases pudessem explicar
O prazer que eu sinto em estar contigo
A sorte que tenho em poder te amar!
Deixa-me cantar com esta lira
Que um dia ha tornar a terra breve
Teu desnudo corpo, alva neve
Teu puro olhar celeste, rara safira
Que transpõe toda síntese da beleza
E do amor que a vida cria e palpita
E sem pesar, a ti entrego a vida
Como o fiel sudito serve a realeza.
És como o oasis em meio a paisagem
A ti dedico os versos e as flores
No deserto és bela fonte, uma miragem
E como arco-íris sutil revela as cores
Revelo a ti o meu valor, minha coragem
E te amo mais que todos os amores.
VERSOS DE SAUDADE (08/2000)
Ah Luciana, se eu soubesse contar
Como o tempo é injusto comigo
As horas tao curtas que passo contigo
Parecem segundos que nao vejo passar.
Cada vez que eu te vejo
É como se fosse a primeira
Ee por mais que eu te queira
Não é suficiente o meu desejo.
Combino o perfume com tua imagem,
E entao guardo uma forma sem igual.
Como se fosse uma miragem surreal
Um oasis de beleza na paisagem.
No campo florido és a mais linda flor
Do mais belos quadros és a pintura mais bela
E nem mesmo com todas as cores da aquarela
Eu posso mostrar para ti o meu amor !
MAIS SAUDADE (08/2000)
Ontem eu vi meu amor a chorar
Tristes lagrimas num rosto tão lindo.
Douradas gotas dos olhos vi caindo
Um arco-iris se formou no seu triste olhar.
Que tristeza é essa vejo em teu rosto
Querida namorada, o que queres falar?
Me diga o que queres que eu faço com gosto!
Seria saudade ou vontade de amar ?
Saibas que a cada segundo que passa
Te amo ainda mais e não seguro o desejo
De ter novamente tua boca, teus beijos
De ver teu sorriso, que encanto, que graça!
E as lembranças que tenho parecem loucuras.
Loucuras que só os amantes inventam.
Contigo eu sou louco a todo instante.
Sou louco, sorrio e suas formas me encantam.
EU SER HUMONSTRO (11/08/1999)
Eu, ser " humonstro " em decadência
De ferinas frases e língua torpe
Blasfêmias múltiplas espalhei na noite
Verbetes sem sentido, sem inocência
Lamentavelmente, frases inescrupulosas
Escrevo ao acaso sem pena nem dó
Perjúrios profanos, dizeres do pó
Estranhos poemas de rimas assombrosas
Enquanto procuro a beleza das frases
Sentimentos sombrios me invadem a mente
Me roubam as rimas, os verbos e as crases
Me sobram detritos poéticos, de repente
Enquanto sepulto a tristeza nas frases
Espasmos verbais me fazem contente
CABECA DO MANÍACO (20/07/1999)
Psicodelicamente cabeluda
Receptáculo de idéias indescentes
Exotericamente desvairada
Sem nexo como a cabeça do vidente
Tabernaculo de planos diabolicos
Insolentes e macabras se multiplicam
Ideias do avesso, dos oráculos
Como teias de aranha se replicam
De pensar tão cabeluda e sem forma
Como o "filho do carbono e do amoniaco"
Profunda insanidade, demencia morbida
Assim é a cabeça do maníaco.
TEMPESTADE NO CAMPO (19/07/1999)
Rapidissimamente precipitando raios
Majestosa ira do crepúsculo saindo
Imponente tempestade dos ceus caindo
Relâmpagos e raios trucidando os troncos
Cataclisma celeste que em doce harmonia
A relva agreste inunda e arrebenta
Dos filhos da seca de boca sedenta
Confundem-se lágrimas, gotas, agonia
Violentamente os corpos arrastando
Pelos subnutridos pastos sem verde se ferem
Arbustos cortados seguem vagando
Cadavericamente tocando seu requiem
Dilaceradas gramineas sem forcas passando
Supultadas raizes seus brotos se perdem
DESDE QUE NASCI (15/07/1999)
Desde que nasci
O sol nao brilha mais como antes
As estrelas não são mais cadentes
As paixoes não são mais ardentes
Desde que nasci
Nenhum Camões versou
Nenhum Bocage jamais ousou
Nenhum Gregorio de Matos satirizou
Desde que nasci
A sombra não refresca mais
O barco não ancora no cais
Os filhos não respeitam os pais
Se é tão sensivel a pele porque ferir
Se é tão bonita a verdade porque mentir
Se é tão triste a cancao porque cantar
Se é tão triste a rima porque versar.
SOLIDÃO (18/05/99)
Ai quantas lágrimas nascidas da noite
Sinceras, sozinhas, caladas, no outro dia
Era o sim, era o não, era a tristeza
Escorria pelas frestas, minha alegria
Era o som, era o silêncio, era a insônia
Enquanto ela cantava eu não dormia
Corria, pulava, no canto escuro chorava
Mas o tempo passa sem piedade, ela sorria
Passava pela janela e meu nome gritava
Sem pedir licença, entrava, batia, calava
Era forte o brado, o soluço, o coração
que sonhava no amor e no ódio, no viver
Era o medo da vida, dos sonhos e de morrer
Era o sol, era a luz, era a solidão
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OS OLHOS DE TALITA (14/06/99)
Era tão belo e tão puro aquele olhar
Expressão de arco-íris subitamente aparecendo
por entre as nuvens de inverno me aquecendo
Tão sensível e perfumado me embalava
Os meus sonhos mais secretos despertava
Os meus medos mais profundos eu sentia
Medo de perder de vista aqueles olhos
Medo de ficar sozinho, eu chorava e tremia
por pensar na solidão que me consumia
meu coração chorou e as lagrimas caíram
no papel em palavras se transformaram
em versos de amor e de agonia
O azul dos teus olhos nenhum céu tem a beleza
Nenhum raio de sol assim tem o brilho
Nenhum perfume tão sublime as flores exalam
Nenhum poeta inspirado sente tanta tristeza
POESIA PÓS MODERNA (07/07/1999)
A
ssim se escreve uma poesia moderna
N ada
na alma, nada na mente
R
iscos e rabiscos sem nada...sem nexo
E
scritas nas portas dos banheiros
D
itas por bêbados no bar
O s
punhos tremendo...garranchos
M
ãos escrevendo...sem rumo
S ão
apenas palavras ao acaso
O
bras inacabadas
P
alavras jogadas no papel
A
bsurdamente interpretadas
I
lusões de poetas ..amadores
S
atíricos Camões inacabados
E
stes homens nos publicam sua magoas
O
utras vezes nos revelam suas falhas
P or
tentar fazer uma poesia pós moderna
CANTOS FRIOS (18/05/99)
Secos, frios, escondidos e turvos
Quardas na face os animais grotescos
que de pavor de si mesmos, gigantescos
Urros de horror, ensurdecem os curvos
Casas de madeiras, sapés, concretos frescos
Tdas tem cantos, mofos, bichos horrendos
guardados da sorte, risonhos, nojentos
murmuram silencio, medonhos seus pelos
Ali embutidos, procriam filhotes
Novos banidos nos cantos amontoam
Nos cantos das casas, dos prédios e postes
Cantos sombrios os gritos ressoam
Cantos sem vida, sem tinta, pixotes
Cantos sozinhos, tristezas ecoam
A BOCA (08/2000)
A boca que fala é a mesma que
cala.
A mesma matraca que atira e mata.
Que fala macio e toca os sentidos.
Que encanta os amantes e provoca arrepios.
Da boca da mãe é que sai o castigo.
Também sai o som que conforta e anima.
Da boca do pai é que sai o incentivo.
Os gritos de alerta sem coro e sem rima.
A boca tem dentes que enfeitam o sorriso,
Tem charme, tem cheiro que dispertam a libido.
Umas são feias. Outras são belas.
Mas todas são bocas que as vezes esguelam.
A boca que busca palavras certeiras.
É a boca frustra dizendo besteiras.
A boca maldita que as vezes esbraveja.
É a boca poetica que versa e beija.
A GUERRA (10/2000)
Acordarás de manhã já quase sem vontade.
E o tombo certeiro que jaz ao teu lado.
Andará na tua sombra olhando calado.
Espreitará no teu vacilo a hora da maldade.
E ao saíres de casa a procura de amigos
Verás a guerra estampada nos postes.
Nos furos a bala, projéteis e mortes.
Nos escravos urbanos em escombros e abrigos.
E verás a loucura na procura da segurança
De um canto sombrio, escuro e sem violencia.
E na fuga sem fim encontrarás a demencia
Ao ver os cadaveres de velhos e crianças.
E na furia pela vida matarás sem escrupulos.
Lembrarás dos tempos de paz do passado.
E verás que da vida que outrora tinhas, pacato
Te espera a funesta lapide dos tumulos.
SONETO DO AMOR PASSADO (04/04/2001)
Outro dia me vi assim meio sem rosto
Vagava e pensava como um barco sem vela
E a vida que tinha tão simples, tão bela
Passava por mim sem perfume e sem gosto
Que duvida cruel, que destino incerto
Sonhar com um mundo de ternura e carinho
Acordar de manhã e se sentir tão sozinho
Viver um amor tao distante e tão perto
No espelho o vazio, um semblante pesado
O peito apertado escondendo o sorriso
O silêncio que outrora inspirava o poeta
Se torna um sussuro, um eterno castigo
E a vontade de amar o amor não aquieta
Resgata a lembrança de um amor do passado
Já não se incomoda com a roupa, frouxa.
Tão pouco os pés aos sapatos, gastos.
Os dentes também mal cuidados, cariados.
O cabelo então não penteia, o odeia.
Já não se importa com a fome, não come.
Tão pouco a sede sacia, vadia.
A pele sem trato não cuida, enrruga.
A vista cansada não olha, desola.
Já não se preocupa com a palavra, se cala.
Tão pouco escuta o que implora, ignora.
A perna em frangalhos não corre, não move.
O coração sem amor já não pulsa, repulsa.
Absolutamente inesperado vem rompendo sulcos
Co's punhos fortes vem fazendo escombros
E as pessoas pálidas de esfolados ombros
Sustentam telhas, telhados e muros
Inesperadamente absoluto abalando a terra
Vem rompendo os montes e cavando ruinas
Dos agrestes campos aos postes e esquinas
A furia natural que sepulta e encerra
Nos velhos prédios e falidos bares
Acumulam entulhos e ferragens tortas
Subta baderna que o caos provoca
Desfolhando as arvores,flores e hortas
Derrubando os bancos e separando os pares
De criaturas urbanas sem rumo e sem tocas.
Piroplástica chama que da terra
emerge
Expelindo gases e fragmentos rápidos
Nuvens de cinzas vem montanha abaixo
Suprema pintura que no horizonte ferve
Incinerando sem escrupulos por onde passa
Escaldando os troncos, os verdes e os secos
Vens queimando os pés e inundando os becos
Derretendo os corpos com sutil desgraça
Como se fosse um rio de horror e pranto
Formas no curso de serpente, uma fera
E vens lentamente e sempre e tanto
Oh lava quente do interior da terra
Vens cobrindo as casas com ardoroso manto
E a indomada força que a natureza encerra.
Sempre que posso eu tento
E sinto que posso e invento
Um jeito sereno e tenso de dizer
Que tudo que faço é fato.
Um verso sem traço no ato
Que deixo tremendo da alma escorrer.
Penso de noite e de dia
E aguardo o açoite da cria
Que exala da minha palma ao escrever
Esses versos amargos que canto.
Esses espinhos calados que arranco
Da vontade de amar e viver.
Oh funebre caveira de crânio
exposto.
Ressequida hora que me encontras triste.
Se na terra ainda algum valor existe,
Do que ris a se morte te levaste o rosto?
Faze-me cessar o pulso que palpita forte.
Feres-me profundo a rala alma, me mate.
Cessa-me correndo este peito que bate.
Que a dor que sinto me levou a sorte
E as rugas fundas ja me marcam a testa.
Hoje sou fraco, uma caveira, palido.
Sofro calado no tempo que me resta.
Se na terra ainda algum valor é valido,
E se o pó da terra ha de cobrir-me a testa,
Que seja breve esse rito trágico.
Se sou eu servo fiel e devotado
Por que ainda o vazio me consome a alma
Com intensidade imensa me sufoca e acalma
Enquanto os versos na pedra encravo?
Esfola-te, esquecida e fraterna palma
Que o tempo breve tem te maltratado
Escreve logo teu penoso fardo
Que o suspiro último te revela o trauma
Se o frio que sinto me abrandar a chama
E o silêncio subto pairar de repente
Aproxima-te, calada e sombria dama
Que o meu epitafio ja se faz presente
"Enquanto sepulto a tristeza nas frases
Espasmos verbais me fazem contente"
Nada é mais abstrato que o fato
De não enxergar onde é claro.
De não receber o que é pago.
De não conservar o que é raro.
Nada é muito concreto a não ser
Quem não tem casa é "sem teto".
Nada se faz por decreto.
A vida começa no feto.
Nada é muito absurdo, contudo
Quem não trabalha não come.
Quem não come tem fome.
A fome mata o homem.
Nada é mais abstrato que fato
De nada ser muito concreto, ou seja,
Nem tudo é tão absurdo, contudo
O homem ainda acaba com o mundo.
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