O ENCONTRO
 O
calendário marca o primeiro dia de Dezembro, e por mais
diferentes que sejam as crenças ou formas de pensar ou
sentir a vida, todos celebram a chegada do Natal. Alguns como
uma oportunidade de ganhar presentes, mas felizmente há
aqueles que realmente vivem essa magia onde os sentimentos são
mais valorizados e as esperanças e os sonhos felizmente
se renovam.
O importante não é somente esperarmos passivamente
por tudo isso, mas lembrarmos que nossas atitudes, às
vezes por mais simples que possam parecer, podem tornar alguém
mais feliz do que jamais foi.
Por isso... Inove, Crie, Surpreenda... e você vai realmente
fazer parte dessa magia do Natal.
Diego já estava de férias
escolares e apesar de não ter necessidade de acordar antes
das 10 horas, sua mãe Janete insistiu nisso.
Na verdade ela tinha uma surpresa para ele..., deixou sobre a
mesa um envelope que havia chegado do correio naquela manhã.
- Bom dia mãe! - disse ele dando um beijo e um abraço
bem carinhoso.
- Bom dia querido! - Dormiu bem?
- Nossa... e como! - Talvez até dormiria mais um pouco...
- riu ele.
- Ah, mas é bom acordar cedo! - O dia reserva surpresas
desde seu despertar.
- Ah mãe! - Essa noite tive um sonho mágico onde
eu era aceito em uma sociedade secreta de cavaleiros medievais...
- parecia tão real!
- Nossa!..., meu filho um cavaleiro! - Deve ter ficado lindo
com aquelas roupas!
Janete sempre foi muito atenciosa e Diego a amava muito.
Aprendeu com ela desde pequeno, que a rotina existe somente para
aqueles que não conseguem perceber e viver cada detalhe
como um momento mágico, pois nada é sempre igual.
Diego se sentou à mesa,
e logo se surpreendeu com o envelope...
Sua mãe ficou atenta...
- Mãe....! - ele rasgou rápido o envelope. - Consegui!
Obaaaaaa!
Abraçou muito sua mãe que já imaginava o
que era pelo remetente.
Ele tinha sido aceito em um
acampamento nas montanhas, que acontecia sempre no mês
de Dezembro e reunia jovens de vários lugares do país
e do mundo.
A programação era bem variada, o que dava uma oportunidade
de fazer novos amigos, se divertir muito, e tudo isso em um cenário
maravilhoso entre altas montanhas. Era o sonho dele e agora se
tornava realidade!
A escolha não envolvia somente um sorteio, mas uma seleção
por interesses e características pessoais.
- Nossa Di! - Que bom... - Me deixe ver a carta! Os dois se sentaram
e leram juntos todos os detalhes do programa.
As datas variavam um pouco e esse ano o retorno seria no dia
23 de Dezembro, para que cada jovem pudesse passar o Natal com
seus familiares.
- Mãe! - a saída
vai ser no sábado dia 19... - Nossa... acho que nem vou
dormir direito. - Já estou ansioso!
Sua mãe sorriu, pois já o conhecia muito bem!
No dia 6 de Dezembro, quando
se monta a árvore de Natal, por ser o dia de São
Nicolau, os dois saíram cedo para comprar uma nova árvore
e alguns enfeites.
Foram a uma loja especializada em produtos natalinos, chamada
"Eu acredito...", que só abre nessa época
do ano.
Os dois pareciam crianças! Estavam entusiasmados com tudo
o que viam e com a variedade de opções.
- Me sinto na oficina de Noel - disse Janete.
- É... mas onde estão os duendes? - ele realmente
acreditava em duendes, fadas e gnomos, como todos deveriam.
- Olha mãe, tem até
papel higiênico com motivos natalinos... - riu ele!
Seu coração estava feliz, e um desejo muito forte
pelo mágico tomou conta dele, e o fez sentir algo inexplicável
vivendo aquele momento.
Escolheram uma linda árvore, muitas luzinhas, enfeites,
fitas... e o tempo ficou esquecido.
No final da compra, muito tempo depois, um senhor de cabelos
brancos, com o peso dos anos já se fazendo visível
em sua postura levemente inclinada, se aproximou de Diego, e
com ambas as mãos estendidas à frente lhe entregou
uma pequena placa de madeira com formato redondo.
Quando Diego maravilhado viu que era uma árvore toda recortada
com as raízes se fazendo visíveis. Não era
um pinheiro de Natal, mas uma árvore linda. Um pequeno
e delicado laço vermelho ornamentava a peça.
Diego ficou tão feliz que deu um forte abraço e
um beijo no simpático senhor erguendo-o alguns centímetros
do chão.

Lágrimas surgiram nos olhos dos que presenciaram a cena,
e seguindo esse impulso todos se cumprimentaram desejando um
Feliz Natal.
Um dos pontos que o marcou
profundamente foi ter recebido pela primeira vez um presente
desembrulhado e de alguém que ele não conhecia.
No final da tarde chegaram
em casa entusiasmados.
Decoraram a mesa com uma toalha vermelha bordada com bonecos
de neve, duas velas acesas: uma vermelha e uma verde, e um panetone
que seria degustado no final da decoração natalina.
A árvore desse ano teve como enfeite principal, o próprio
Papai Noel que se destacava desde o topo, e depois se misturava
por entre bolas e sinos feitos de chocolate. Podemos dizer que
a árvore ficou "deliciosa".
Os dias se passaram e a ansiedade foi aumentando até chegar
o grande dia.
Diego acordou eufórico, e depois de tomar o café
da manhã na companhia da mãe, e verificar se não
havia esquecido nada, Janete o levou até o centro da cidade
para pegar o ônibus que o levaria até o "Parque
dos Cedros".
O monitor no início sugeriu que todos se apresentassem
e falassem livremente um pouco sobre si mesmos.
A viagem foi bem animada e
como Diego sempre teve muita facilidade e carisma para conversar,
se sentiu a vontade com os novos colegas.
Ele também era muito perceptivo. Observava todo o trajeto
com atenção, e depois de aproximadamente umas 2
horas, o cenário de montanhas já tornava até
mesmo o vento mais mágico. Hortênsias azuis margeavam
a estrada de terra, as nuvens pareciam formar desenhos imaginários.
Era como se o tempo só existisse ali naquele momento.
Diego viajava em sua imaginação.
Uma grande placa na estrada
fez todos ficarem alvoroçados:
"Parque dos Cedros a 1
km"
Na chegada, os monitores deram
as boas vindas a todos e passaram algumas instruções
quanto aos locais para as refeições e, em grupos,
os rapazes foram conhecer as dependências principais.
Ao lado do refeitório,
havia a "Sala da Lareira", e quê lareira!!! -
Era a maior que todos já tinham visto. Do lado dela uma
árvore de Natal com quase 4 metros de altura aguardava
ansiosa para ser enfeitada.
Um pouco mais tarde, os monitores reuniram todos nessa sala,
e cada um recebeu alguns enfeites de Natal, para que participassem
da decoração da árvore.
Diego ficou encantado com os
enfeites. Ele foi pendurando com cuidado para não ocultar
os que já haviam sido colocados pelos colegas, mas...
quando pegou o último ficou extremamente surpreso... pois
era igual ao presente que aquele senhor havia lhe dado na loja.
Isso era coincidência demais!
Ele observou a grande árvore, procurando por outro enfeite
como aquele, mas o seu era o único. Um arrepio percorreu
seu corpo.
Depois de quase uma hora, todos
já haviam colocado seus enfeites. Apagaram as luzes da
sala e acenderam a Árvore de Natal... Nooossa !!!! - Ficou
muito linda!
Apesar de jovens o grupo se manteve em silêncio por alguns
instantes, pois realmente era um espetáculo.
No dia seguinte bem cedo, Diego
acordou e pensou em mudar de posição para continuar
dormindo um pouco mais, mas decidiu levantar e arrumar silenciosamente
sua cama. O que era uma das normas do local.
Foi quando ele viu um envelope vermelho sob o travesseiro. Retirou
de dentro um misterioso cartão que dizia:
"Pode ser você !"
Era somente uma frase, mas
que despertou nele uma incrível reação.
Por instantes seu corpo sentiu outro arrepio, em ondas que desciam
desde sua cabeça até as pernas.
Repetiu a frase para si mesmo. - "Pode ser você!"
- Eu? - Eu o quê?
Se deitou novamente, e ficou
imaginando quem poderia ter feito aquilo... No começo
pensou que talvez as pessoas do próprio grupo, para alguma
brincadeira do dia, ou alguma surpresa, mas no fundo ele achava
ou queria que fosse... algo mais!
Em cada quarto do acampamento,
dormiam doze jovens e quando os outros foram acordando, outros
envelopes foram surgindo e enfim, todos tinham um, exatamente
igual.
Muitas risadas e brincadeiras fantasiando o que poderia ser aquela
mensagem.
Diego em seu íntimo, ficou um pouco decepcionado, pois
tinha esperança que fosse um "algo mais"...
mágico.
Durante o café da manhã,
o assunto é claro, era o "tal envelope"... Todos
no acampamento tinham recebido, inclusive os monitores, o que
tornou o caso mais incomum.
Para a maioria era alguma brincadeira de um dos garotos, mas
o assunto logo foi esquecido durante as atividades do dia, exceto
Diego que ficou pensativo.
Nesse dia a atividade sugerida era "cabo de guerra",
onde as equipes se dividem puxando uma corda, com um rio entre
elas. Quem perder obrigatoriamente ganha um banho forçado.
Como nenhuma atividade era
obrigatória, sempre havia a opção para fazer
uma caminhada pelas trilhas do parque.
Diego olhou o mapa do parque e ficou interessado na "Trilha
do Carvalho Velho", que era uma das mais longas e havia
até sugestão, de um dos monitores, para acampar.
O bom é que o parque fornecia todo o equipamento necessário.
Nem preciso dizer que foi a que ele escolheu.
Foi orientado quanto a segurança, e partiu ansioso nessa
jornada. Sentia-se muito bem, como um desbravador, andava com
a cabeça erguida, um enorme sorriso e olhos atentos em
cada detalhe.
Ele não somente andava pela trilha, mas tentava fazer
parte dela, sentindo cada som, aroma ou imagem que presenciava
atentamente.
Depois de quase uma hora, chegou a uma clareira, onde a sombra
das árvores altas tornaram o lugar convidativo para permanecer
um tempo.
Diego além de musculação,
tinha uma alimentação saudável e praticava
yoga, uma prática milenar de origem indiana, com o objetivo
de harmonizar o corpo e a mente através de posições
físicas, conhecidas como ásanas.
Ele então resolveu praticar um pouco. Se sentou, fez um
relaxamento, e logo começou os ásanas integrado
com a natureza e consigo mesmo.
Estava relaxado em "Ardha
Sarvangasana", mas quando desfez a postura, percebeu que
havia mais alguém na clareira. Era um outro jovem do acampamento
que o observava à distância.
- Oi, meu nome é Ricardo! - Eu estava fazendo uma caminhada
e vi você praticando yoga. - Estava tão legal que
resolvi ficar olhando um pouco. - Te atrapalhei?
- Que nada! - Não atrapalhou! - Eu me lembro de você
do ônibus. Sua apresentação para o grupo
me chamou a atenção pois gostamos das mesmas coisas.
- Sou Diego! - disse estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Você também gosta de yoga?
- Adoro! - faz alguns meses
que pratico, mas ainda não consigo fazer esses ásanas
que você fez !!! - disse sorrindo.
- O que importa realmente é
o estado mental que você está, respirando conscientemente,
e não a postura em si. - Com o tempo você vai aperfeiçoando.
- Quer fazer comigo?
- Opa! - Quero sim! - disse Ricardo se desfazendo do equipamento
que ainda estava pendurado em suas costas.
Eles no início nem conversaram muito, e Ricardo foi atentamente
seguindo o que Diego fazia.
Começaram com os mais
simples e nos mais difíceis Diego ajudava o novo amigo.
Depois de algum tempo, pararam
e resolveram fazer um lanchinho.
- Sabe! - Eu estava mesmo com fome! - disse Ricardo.
- É, eu também!
Diego então comentou, enquanto seus olhos se moveram até
o bolso externo da mochila. - Estou vendo que você trouxe
o envelope!
Ricardo ficou um pouco sem jeito mas somente por um instante
pois Diego mostrou que também estava com o dele. Isso
os envolveu naquele momento, em um clima de cumplicidade.
- Você acha que é um tipo de brincadeira? - perguntou
Ricardo.
- Bem, sinceramente, eu acho que é mais do que isso. -
É que eu gosto muito de ver o lado mágico em tudo.
- Nossa, eu também sou bem assim! - Inclusive fiquei meio
triste quando soube que todo mundo havia recebido. Eu queria
mesmo que fosse algo exclusivo...
- O quê! - você também? - interrompeu Diego
- Eu desejei o mesmo.
- Estou vendo que trouxe barraca.
Vai fazer a "Trilha do Carvalho Velho" com pernoite?
- Vou! - A minha intenção era ter a experiência
de passar uma noite sozinho nas montanhas, mas... agora... -
Será que podemos ir juntos? - perguntou Ricardo.
- Claro! - Vai ser ótimo
uma companhia que gosta de magia. - Quem sabe não encontramos
uns gnomos por aí ! - ele abaixou e começou a andar
como se fosse pequenino. Ambos riram muito!
A trilha era tranquila na maior
parte do percurso, mas tinha alguns trechos mais íngremes
com pedras.
As vezes é bom estar sozinho, mas quando se pode falar
livremente com alguém que presta atenção,
é muito melhor.
Um quase lia o pensamento do outro. Todos os assuntos eram fascinantes
e eles desfrutavam de uma profunda liberdade de se expressarem,
vivendo um estado de profunda paz.
O entardecer já anunciava
o final de mais um dia. Passaram perto de uma cachoeira, e decidiram
que seria o local ideal para montarem suas barracas.
A vantagem é que já teriam água para um
merecido banho e também para beber, pois nesse parque
as fontes de água eram todas potáveis.
Montaram suas barracas e depois reuniram alguns gravetos secos
para fazerem a fogueira, restrita a um círculo de pedras.
Sempre pensando na natureza.
Mais tarde, depois do "jantar",
caminharam com suas lanternas por uma trilha e chegaram a uma
área um pouco mais aberta.
Como o céu estava sem nuvens, e era noite de Lua Nova,
as estrelas brilhavam como diamantes sobre o veludo da noite.
Eles deitaram no chão que era coberto de uma vegetação
que lembrava a grama, e ficaram olhando o espaço. Deixaram
que suas mentes viajassem pelos caminhos desconhecidos da imaginação.
- Olhe que céu maravilhoso, Ricardo!
- Nossa! - Bonito mesmo! - Dá até para ver a mancha
esbranquiçada da Via Láctea.
Ambos estavam vivendo um momento onde o tempo não existia,
mas somente a satisfação de estarem presentes diante
da beleza da natureza e ainda desfrutando do bonito sentimento
de amizade que havia nascido entre eles.
9
Dormiram tranqüilos ao som dos grilos e corujas, e na manhã
seguinte...
- Diego! - chamou Ricardo - ainda dentro da barraca.
- Oi... estou curtindo a preguiça...- riu alto.
Abriram as barracas, que estavam frente a frente, e Diego resolveu
pegar novamente o envelope na mochila. Quando o abriu soltou
uma exclamação!
- Uau... - isso é demais! - Veja o que esta escrito no
cartão! - disse perplexo.
"É você
!"
Ricardo num impulso pegou rapidamente
o seu e quando o abriu leu exatamente as mesmas palavras:
"É você !"
Ambos estavam sem palavras e até um pouco apreensivos
em saber o que significava tudo isso.
Diego estava olhando fixo para o verso do cartão do amigo,
quando disse:
- Se você achou estranho, acho bom ler o que está
escrito atrás do seu cartão.
- Atrás? - e quando ambos viraram seus cartões
estava escrito assim:
"O portal vai revelar
Uma passagem para outro lugar
Você deve merecer
para o presente da árvore receber".
No acampamento o clima estava
meio tenso, pois todos faziam perguntas e indagações
sobre os envelopes, que agora estranhamente continha somente
um cartão em branco.
Muito longe em distância,
mas muito perto em atenção, dois seres mágicos
conversavam:
- Parece que você fez a sua escolha, Veynar!
- Sim! - As atitudes desses dois, são um estímulo
para jamais se perder a esperança. Quisera que todos percebessem
o quanto é importante o valor dos sentimentos. Essa capacidade
de amar incondicionalmente, toda criança sente, mas com
os anos infelizmente vai ficando esquecido.
Quando um adulto demonstra, sem medo: seu carinho, amizade e
amor, ele se destaca e sua alma se ilumina! Andryus se aproximou,
abraçou Veynar e disse baixinho. - Estamos aqui para ajudá-los!
Diego com um olhar matreiro,
disse:
- Amigo, estamos vivendo uma aventura mágica de verdade.
- Ainda não sei o que é, mas só sei que
estou gostando.
- E nós achando que esse envelope era só uma brincadeira
de alguém, hein! - disse Ricardo sorrindo.
Tomaram o "café
da manhã" e começaram a recolher tudo para
continuar a jornada.
Agora com mais um incentivo: "Encontrar o portal e desvendar
esse mistério."
O amanhecer estava envolto em uma neblina, que logo nos primeiros
passos da caminhada já se dissipava. As folhas e galhos
das árvores dançavam ao vento forte que os acompanhava
nessa manhã gelada.
Diego parou de repente, segurou o braço do amigo e disse:
- Espere!
- O que foi?
- Você já sentiu que está ventando?
- Claro que sim! - disse Ricardo sem compreender bem. - Qual
o problema disso?
- Olhe para aquela área à direita de nós!
Quando ele olhou, percebeu que nenhuma das plantas, árvores
e folhas se movia com o vento.
- Que estranho! - Vamos até lá?
Ao se aproximarem algo inesperado
aconteceu. - As plantas se inclinaram para os lados revelando
uma pequena passagem entre elas.
- Vamos? - perguntou Diego, num misto de ansiedade e nervosismo.
Ricardo apenas concordou com a cabeça.
Os dois foram adentrando, mas
um de seus passos mudou radicalmente o ambiente. Era como se
eles estivessem agora em um túnel de vidro. Podiam ver
através dele, mas não ouviam mais nada. A entrada
por onde passaram continuava aberta.
Caminharam um pouco mais, e logo à frente, encontraram
alguém que estava de costas, com um manto como vestimenta.
Algo muito lindo como se o tecido fizesse parte da natureza.
O manto cobria seus pés e sua cabeça, e bem nítido
havia o desenho de um rosto no tecido verde e preto.
Eles pararam com receio, apesar
de sentirem uma atmosfera de tranquilidade.
- O ser se virou lentamente. O capuz sombreava os contornos do
rosto, sendo quase impossível ver claramente seus traços.
Sem dizer nada, ele estendeu as mãos que seguravam um
obelisco, com uma luz que emanava de seu interior.
Estranhamente Diego se lembrou do ancião que lhe deu o
presente na loja.
Rapidamente seus pensamentos retornaram para o presente..., e
eles trocaram um olhar! Palavras não eram necessárias,
e o obelisco foi passado para as mãos de Diego que agradeceu
com uma respeitosa reverência.
Nesse momento o ser se virou apontando em uma direção.
Os dois acompanharam com o olhar. A trilha prosseguia, e quando
voltaram seus olhos para o ser, perceberam que estavam sós
novamente.
Eles observaram atentamente o estranho objeto, e a luz que emanava
de seu interior delineava exatamente o mesmo desenho da árvore
que o velhinho presenteara Diego. Então, em poucas palavras,
ele contou para Ricardo sobre o presente que havia ganhado na
loja.
Ricardo ouviu atentamente e
completou:
- Então essa aventura começou com você nesse
dia.
Eles continuaram na trilha,
mas o senso de aventura havia tomado conta deles, e nada os deteria
agora.
Diego parou bruscamente.
- Encontramos! - Tenho certeza, é ela!
- Ela quem?
- A árvore! - Igual a que ganhei na loja e a mesma no
enfeite da Sala da Lareira, e agora a vejo aqui viva e maravilhosa.
Vamos!
Ela era muito grande, um tronco
de grandes proporções e bem no alto uma copa frondosa.
Suas raízes eram um dos pontos que mais de destacava.
Algumas estavam para fora da terra, e mesmo as que adentravam
o solo, podiam ser vistas, como se o chão fosse de terra
transparente.
Na lateral direita do tronco,
um galho estranhamente se dobrava, lembrando um braço
e alguns pequenos galhos em sua extremidade lembravam uma mão
humana aberta e virada para cima. Sobre ela havia algo. - Uma
caixa!
- Parece que a árvore
está ali esperando para nos dar aquele objeto. - disse
Ricardo se aproximando mais da árvore.
- Não! - Espere! - Lembra-se das palavras do cartão?
Ricardo pegou novamente e leu as duas últimas linhas:
"Você deve merecer, para o presente da árvore
receber".
- Mas o que será que quer dizer esse "merecer".
- Já não estamos aqui?
- Eu sei, mas sinto que falta alguma coisa... - deixe-me tentar.
Ele se aproximou lentamente, ajoelhou, e com humildade pediu:
- Ó árvore! - Será que podemos ter a honra
de receber esse presente?
Ricardo não disse nada,
e ficou surpreso observando.
Nesse momento dois olhos e
uma boca se abriram no meio do tronco enrugado da árvore
e ela olhou atentamente para ambos, dizendo com um tom meio rouco:
- Enfim seres que merecem esse presente. - Respeitam a natureza
e valorizam a magia. - Veynar escolheu bem!
Os dois amigos estavam paralisados
sem saber o que fazer ou dizer. - e quem era Veynar?
A árvore estendeu seu galho em forma de mão, na
direção deles e disse:
- Aceitem essa caixa como meu presente!
Ricardo deu uma leve empurrada no amigo. Diego se aproximou e
pegou o presente fazendo uma reverência.
- Eu tenho estado aqui há muitos anos esperando por vocês!
- falou a árvore. - Agora sei que posso partir para outros
mundos.
- Espere um pouco, por favor! - disse Diego. - O que devemos
fazer com essa caixa?
- Vocês não sabem?
- disse a árvore.
- Os dois responderam em uma só voz: "Não".
- Sinto muito, mas não sou eu quem vai orientá-los.
- Confiem em si mesmos! - Os grandes olhos deram uma piscadela
e se fecharam deixando ambos se sentindo meio sem rumo.
As incertezas duraram apenas um momento pois uma luz por entre
as árvores revelou que alguém se aproximava, e
para surpresa e perplexidade deles era... "Papai Noel".
Isso mesmo! - aquele com barbas brancas, roupas vermelhas e tudo
mais.
Ele se aproximou com suavidade na expressão do rosto.
Seus olhos irradiavam paz e era como se naquele momento somente
os pensamentos e sentimentos bons existissem.
Ricardo não se conteve
e perguntou:
- Quem é você? - Bem, eu sei que parece o Papai
Noel, mas...
Ele se aproximou:
- Diego e Ricardo... - Eu sou Veynar. - O Papai Noel.
- Mas todo mundo diz que você
não existe! - lembrou Diego, mesmo sem nunca concordar
com isso.
- Eu sei! - é por isso que essas pessoas infelizmente
não estão aqui agora.
Veynar sorriu e os abraçou calorosamente. Esse abraço
lhes trouxe segurança e conforto. - Vocês têm
nas mãos um dos maiores presentes. - A "Árvore
da Vida", esperou muito para sentir que poderia confiar
a alguém essa caixa mágica.
- Mas o que fazemos agora? - perguntou Diego.
Vocês devem abrir essa
pequena tampa, e encaixar o obelisco que Andryus lhes deu. Se
o sentimento de vocês for sincero e verdadeiro, a caixa
vai se abrir e lhes conceder um presente, que eu também
não sei o que será, pois depende de quem a está
abrindo.
Os dois apoiaram a caixa e seguiram as instruções
de Veynar, que se afastou um pouco para permitir-lhes maior privacidade.
Quando o obelisco tocou a caixa, uma luz intensa começou
a emanar mais e mais forte, e as duas partes se tornaram uma.
A caixa se abriu lentamente em ambos os lados revelando seu interior
luminoso.
Os dois olharam curiosos e
Veynar se aproximou.
Dentro encontraram dois símbolos em bronze, com uma árvore
em relevo estampada e uma corrente que acompanhava cada uma das
peças.
Veynar pediu permissão, e pegou cada um dos símbolos
e os colocou ao redor do pescoço do Diego e depois do
Ricardo.
Ambos estavam muito emocionados e mesmo Veynar não se
conteve. Os três ficaram ali abraçados por alguns
instantes, enquanto do céu pequenos flocos de neve caiam
suavemente sobre eles.
Veynar olhou bem nos olhos
dos dois amigos, que esperavam ansiosos, e disse:
- Sentimentos como os que vocês
têm, precisam ser valorizados. A amizade, o carinho, o
abraço e o beijo fraterno que vocês se permitem
partilhar, deveriam ser atitudes normais entre as pessoas, mas
hoje se tornaram raridades. - Sabendo o quanto vocês valorizam
o lado mágico, eu senti que vocês seriam aqueles
que mereciam a dádiva de receber o presente da "Árvore
da Vida". - Continuem sendo vocês mesmos, e dentro
do possível procurem ampliar esse sentimento para outras
pessoas.
- Mas agora, meus amigos, eu preciso ir!
Os dois queriam mesmo que aquele momento nunca terminasse, mas
Veynar se despediu e retornou lentamente para a floresta, enquanto
uma névoa encobria sua silhueta. De repente, o portal
e tudo mais desapareceu, o vento tocou seus rostos, os sons retornaram.
Eles estavam novamente "lá fora".
O regresso deles até o acampamento foi um tanto silencioso.
Suas mentes estavam revivendo cada instante, cada detalhe.
Era 24 de Dezembro, e ambos
já haviam regressado para suas casas. Diego passou a noite
contando para sua mãe os detalhes de sua jornada. Apesar
de parecer só imaginação..., a caixa, o
obelisco, e os símbolos, realmente eram reais. O brilho
em seus olhos e a expressão de seus sentimentos tornaram
tudo tão real, como realmente foi.
Ricardo também celebrou com sua família, e depois
da ceia, também contou todos os detalhes da sua aventura.
Passava da meia-noite quando
Diego se deitou, e adormeceu rapidamente.
- Mas o que era aquilo? - sentiu uma sensação diferente
como se seu corpo flutuasse e de repente não estava mais
no seu quarto. O lugar era diferente de tudo o que ele já
tinha visto ou sonhado! - O céu estrelado e a lua pelo
menos pareciam iguais.
O contato com o chão era mais leve. - Havia árvores
cercando todos os lados visíveis. - Uma claridade tênue
se apresentava em alguns pontos ao longe, mas não era
possível identificar sua origem.
A sensação era
que estava em uma montanha bem alta. O vento soprava com suavidade.
Quando olhou para o lado, viu
Ricardo simplesmente surgir "do nada".
- Diego! - O que você está fazendo no meu sonho?
- Eu não sei se estamos realmente sonhando... - Está
muito real! - Também não sei o que estou fazendo
com a caixa que ganhamos. - Acho que essa aventura ainda não
terminou.
Logo eles sentiram uma mão
apoiada em seus ombros, dando imediatamente uma sensação
de segurança. Quando se viraram...
- Veynar! - Que bom ver você novamente! - disseram ambos
enquanto o abraçavam.
- Ah, meus amigos! - Eu também estou feliz.
- Mas aconteceu alguma coisa? - perguntou Ricardo preocupado.
- Na verdade vai acontecer! - Mas não se preocupem! -
Vamos! - Logo vai ficar claro para vocês e para os outros.
- "Outros?"
Andaram por alguns minutos
na direção de uma daquelas luzes que Diego havia
percebido e começaram a ouvir vozes.
Quando Veynar e seus perplexos acompanhantes chegaram, quinze
pessoas entre homens e mulheres, de idades diferentes, se aproximaram
com um enorme sorriso no rosto. Todos pareciam conhecer Veynar
e vieram abraçá-los como se os conhecessem ou estivessem
ligados de alguma forma.
Veynar então disse:
- Amigos, como já devem ter percebido, isso não
é um sonho!
A parte de vocês que realmente é eterna está
aqui presente nesse encontro, por um motivo muito especial. -
Durante 12 anos eu tenho procurado descobrir pessoas onde a magia
e o amor se expresse de uma forma única. - Hoje estamos
aqui para celebrar esse momento especial, pois nesse número
de anos, se completa o primeiro ciclo de muitos que virão.
- Todos vocês participaram,
de formas diferentes, em aventuras para despertar a sua essência
interior, e como nem todos se conhecem pelos nomes, vou apresentá-los:
- João Rossetti e Elisa
Namur, foram os primeiros. - Elisa é a mais velha do grupo.
Hoje com 92 anos ainda uma menina!
Todos olharam para ela admirados pela beleza e seus lindos olhos
azuis.
- Samuel Robles
- Rafael Jorge
- Danilo Cesquim
- Dailson, Leandro e Eliana
- Rafael Spudat e Bruno di Nardo
- Renato Schiavinato
- Diego Aubim
- Roberto Queiroz
- William Tonhato
- Felipe Stevanato
- E nesse ano: Diego Lourenço e Ricardo Namur.
Alguns de vocês receberam
objetos de poder que hoje serão importantes, pois vamos
juntos dar um presente de Natal para o mundo! - Me acompanhem!
- disse Veynar seguindo na direção de outra luz
que pulsava.
Quando passaram por uma abertura que havia na floresta, o que
viram foi uma clareira gigantesca de onde emanava uma luz branca,
mas suave. No chão, doze círculos com desenhos
distintos, estavam dispostos em forma circular, tendo ao centro
uma esfera luminosa com tons variando entre o azul e o lilás.
- Eu peço que cada um de vocês se posicione em um
dos círculos. Se a aventura foi vivida em conjunto com
outra pessoa, ambos devem ficar no mesmo círculo.
A esfera brilhava mais na proporção que cada um
se posicionava, e quando estava completa, um ser saiu da esfera
irradiando uma luz intensa.
Todos sentiram uma grande familiaridade,
mesmo sem o conhecer. Era como se ele irradiasse o que eles mais
tinham no coração: "Amor".
Veynar foi logo recebê-lo e o apresentou:
- Esse é Andryus, um
grande amigo, que também está aqui para celebrar
esse encontro!
- É ele mesmo! - pensou um dos escolhidos que era o único
do grupo que já o conhecia.
- Concentrem-se na esfera luminosa
- disse Andryus, e irradiem todo o amor e magia que vocês
têm em seus corações.
A esfera começou a emanar
energia de forma cíclica, e ela se desprendeu elevando-se
no espaço. Todos a seguiram com o olhar. Ela diminuía
de tamanho, mas não de intensidade, e quando já
estava bem alta, ela liberou uma onda de energia que vibrava
intensamente em todos os lugares.
Foi uma manifestação tão magnífica
que chamou a atenção até mesmo de outras
dimensões e mundos. Um novo tipo de luz irradiava agora
para toda a humanidade. Um sentimento de amizade, amor verdadeiro
e magia penetraram em cada ser, e o ciclo dos doze consagrou
o amor como o maior poder que existe.
Veynar e Andryus agradeceram a todos, e a emoção
tornou o momento inesquecível.
Andryus pediu que todos de
aproximassem...
- Antes de nos despedirmos eu gostaria de deixar uma mensagem
para que cada um procure compreender e dentro do possível
ensinar, que:
- Cada momento da vida é mágico e estamos vivendo
nesse mundo para aprendermos sentindo e não pensando,
pois as experiências pessoais vão concedendo maestria
à nossa alma.
- Todos tem assegurado o direito de escolher o que fazer de suas
vidas, mas muitas vezes o objetivo principal acaba sendo esquecido,
e iludidos, preenchemos nosso dia com mais e mais atividades,
esquecendo de reservar um tempo para nós mesmos.
- Estar informados sobre o
mundo, quase sempre nos deixa mal informados sobre nós.
Devemos viver mais a nossa própria vida, pois o pensamento
e o sentimento são a fonte principal da saúde do
corpo e da alma.
... e o mais importante de
tudo é que cada um lembre que a maior verdade que existe,
é que o Criador na sua infinita manifestação,
jamais vai estar limitado a uma cultura, a um tempo ou a livros.
Os anos futuros reservam grandes revelações, que
serão melhor compreendidas se cultivarmos uma visão
ampla sobre a vida.
Sem perceber, aos poucos todos
regressaram para suas casas, e acordaram na manhã seguinte
com a vívida lembrança de cada sentimento, imagem
e palavras!
Mesmo que você não
tenha recebido o papel escrito "'É você",
pense em tudo o que você viveu comigo nessa história
e tome uma atitude pessoal para melhorar a si mesmo.
Um Feliz Natal, um abraço
e um beijo carinhoso...
Veynar!

Curiosidades Mágicas:
- Este é o 12º.
Conto de Natal
- A entrega do Conto para o
Diego foi no dia 12/12 em Monte Verde
Gostaria de agradecer à
minha esposa Rita Aubim pelo amor e incentivo para escrever esse
Conto de Natal,
e ao meu amigo: Diego Lourenço, pela amizade e
carinho que me motivaram a homenageá-lo neste ano.


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(Última atualização em 20/12/2009).
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©1997-2009, Chave
Mágica
by Leandro Amaral e Ricardo Namur
Ilustrações em aquarela: Sérgio Ramos
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