Conduta de todo Médico Homeopata consciente e ético perante o
tratamento das doenças graves

Prezados Colegas Homeopatas:
 
O episódio na Austrália, independente dos exageros das críticas à Homeopatia, evidencia a importância do respeito aos "limites da homeopatia" e do exercício da "boa prática homeopática", desprezados por pessoas despreparadas e enebriadas no afã da "cura alternativa e milagreira".
 
Como citei no artigo "Homeopatia: prática médica coadjuvante", publicado em 2007 na Revista da Associação Médica Brasileira (RAMB):
"Homeopatia é coisa séria! Não pode ser encarada como um deslumbre de médicos 'alternativos' que desprezam a integridade de seus pacientes por acreditarem num 'poder absoluto e imediato' de qualquer substância homeopática prescrita, desprezando, na maioria das vezes, o critério da individualização medicamentosa, fundamental para o sucesso da terapêutica homeopática."
 
Esse artigo foi a minha resposta à jornalista da "Folha de São Paulo", que me procurou ontem para discorrer sobre o acontecido, e publicou hoje a matéria abaixo.
 
Acredito que essa deva ser a conduta de todo médico homeopata consciente e ético perante o tratamento das doenças graves, em que o emprego coadjuvante de medicamentos alopáticos são imprescindíveis à manutenção das funções vitas e à prevenção de complicações severas, enquanto não encontramos o medicamento simillimum.
 
Atenciosamente,
 
Marcus Zulian Teixeira
www.homeozulian.med.br
 
São Paulo, quarta-feira, 30 de setembro de 2009
 
ECZEMA

Pais são presos por homicídio após terapia homeopática

DA REPORTAGEM LOCAL

Um casal australiano foi preso, condenado por homicídio culposo por ter deixado sua filha morrer de septicemia e desnutrição em decorrência de eczema. A menina morreu em 2002, aos nove meses de idade. A pena é de, no mínimo, dez anos.

O pai, que é homeopata, preferiu tratar a filha sozinho e se recusou a buscar ajuda médica mesmo quando seu quadro se agravou.

O eczema é uma doença da pele causada, normalmente, por uma reação alérgica. Em casos leves, a pele fica ressecada e vermelha. Nos severos, pode incluir sangramentos que levam a infecções.

"Jamais se pode suspender um remédio necessário às funções vitais sem a certeza de que o medicamento homeopático está funcionando bem", diz o homeopata Marcus Zulian Teixeira, pesquisador do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Como o tratamento homeopático é individualizado, leva tempo. Segundo Teixeira, há uma falsa idéia de que a suspensão imediata dos remédios alopáticos seja uma prerrogativa da homeopatia.

(GABRIELA CUPANI)